O que é necessário saber antes de fazer uma trilha

Grupo caminha durante trilha

Grupo caminha durante trilha

A relação das pessoas com atividades de aventura vem mudando, especialmente após a pandemia. O contato maior com a natureza e os benefícios de praticar exercícios físicos mais dinâmicos têm mobilizado grupos e pessoas dispostas a praticar diferentes modalidades, como as trilhas.

10.000 km

de trilhas, aproximadamente, estão cadastradas na Rede Brasileira de Trilhas, iniciativa vinculada ao Ministério do Turismo e ao ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade)

Para quem quer começar a praticar a atividade ou quer elevar o nível de dificuldade, alguns cuidados devem ser redobrados para evitar acidentes e episódios traumáticos.

Neste texto, o Nexo explica o que levar em conta antes de fazer uma trilha e quais medidas podem ser adotadas no caso de imprevistos.

Escolhendo o lugar 

Antes de tudo, é fundamental conhecer suas limitações para garantir uma trilha segura e prazerosa. Entender qual o seu nível de condicionamento físico, o quanto pretende caminhar e quais experiências busca – apenas uma caminhada, um banho de rio ou uma escalada – são os primeiros passos, segundo Fabiana Senna, uma das fundadoras do grupo e agência Mulheres na Trilha.

“Muitas vezes, as pessoas descobrem trilhas por fotos, veem um local bonito e querem chegar lá, mas nem sempre pesquisam qual é o nível de dificuldade e o que é necessário para chegar naquele lugar”

Fabiana Senna

do grupo e agência Mulheres na Trilha, em entrevista ao Nexo

Com isso em mente, analise as opções tendo em vista qual a distância a ser percorrida e quais as características da área – como a existência de sinalização, os pontos de apoio e serviços disponíveis (como agentes de resgate que atendam a região). Na sequência, confira a previsão do tempo para evitar chuvas ou calor intenso que dificultem ainda mais a trilha. 

Com a escolha feita, avise pessoas próximas do local e horários prováveis da atividade. “Sempre avise a alguém aonde você vai, qual trilha e o horário máximo que pretende estar de volta. Se você não der notícias até o horário combinado, essa pessoa poderá chamar o resgate e saberá indicar a localização”, disse ao Nexo Luciana Nogueira, diretora de comunicação da Rede Brasileira de Trilhas.

Com quem ir 

A recomendação das especialistas ouvidas pelo Nexo é evitar se aventurar por áreas naturais e desconhecidas sem estar acompanhado. Conhecendo o nível de dificuldade da trilha escolhida, avalie ir com grupos experientes ou com amigos – neste caso, certifique-se de que alguém conheça a rota escolhida ou tenha experiência em atividades como essa.

“Decisões coletivas são sempre mais assertivas e eficazes em situações de risco. Sozinho, em uma área natural remota, um evento simples como uma torção de tornozelo pode se tornar uma questão de sobrevivência”, 

Luciana Nogueira

da Rede Brasileira de Trilhas, em entrevista ao Nexo

Nem sempre um lugar bem sinalizado significa que a trilha é segura para iniciantes. Alguns percursos exigem a presença de um guia habilitado, informação que deve ser conferida com quem administra a área. 

“É fundamental ir com guia, tanto pela segurança quanto pela riqueza de informações e trocas que podem acontecer ao longo do caminho. Sempre incentivamos procurar profissionais credenciados e valorizar aqueles que sejam nativos”, disse Senna.

Arrumando a mochila

Independente do nível de dificuldade da trilha escolhida, é essencial se equipar com: 

Água e alimentos são indispensáveis. Alimente-se bem antes da trilha e reserve na mochila produtos leves, mas nutritivos – com proteínas e carboidratos para garantir energia. Barras de cereais, frutas secas, castanhas e sanduíches leves são uma boa pedida. Ovos cozidos também são comuns, mas devem ser levados ainda com a casca.

O que vestir 

Via de regra, roupas e meias de algodão são as mais recomendadas para o dia a dia pelo conforto que proporcionam. Mas numa trilha, a regra é optar por tecidos leves, com proteção térmica e que sequem rápido – como os chamados dry fit. 

“O atrito do tecido molhado contra o corpo pode causar assaduras ou irritação e, nos pés, causar bolhas – o terror de qualquer trilheiro” 

Luciana Nogueira

da Rede Brasileira de Trilhas, em entrevista ao Nexo

Acessórios como bonés, bandanas e óculos de sol também podem ajudar a proteger-se do sol, vento e poeira. Opte por calçados sempre fechados e resistentes, com solados que assegurem maior aderência e estabilidade durante a caminhada. Mas cuidado com tênis e botas novos, que ainda não foram amaciados e podem machucar.

Durante a trilha

Ao parar para lanchar, é importante escolher um local à parte e não bloquear a rota da trilha. Caso precise descansar, não hesite em parar seu grupo para que todos aguardem antes de seguir o percurso. “As pessoas mais lentas são as que ditam o ritmo de todos”, explicou Nogueira, da Rede Brasileira de Trilhas.

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Lembre-se também de respeitar as condições naturais do local. Evite abrir atalhos na mata e, caso encontre algum animal, não alimente-o ou interaja. Já o lixo produzido durante a trilha deve ser reservado para descartar no fim da atividade – inclusive os orgânicos, como restos de alimentos e itens usados para higiene pessoal.

Deixar o celular em modo avião é outro cuidado necessário, para que a bateria dure durante todo o trajeto.

Como pedir ajuda

Fadiga, tontura, palpitação e dor no peito são sinais de que você não está bem e que uma pausa é necessária. Alimente-se e hidrate-se para garantir o retorno. Mas caso não consiga seguir a trilha, peça ajuda e acione o resgate. O mesmo vale caso você se perca.

“É importante manter a calma e não sair andando sem saber para onde. Se estiver com sinal, ligue para os bombeiros [193] e tente passar o máximo de informação sobre a localização”

Fabiana Senna

do grupo e agência Mulheres na Trilha, em entrevista ao Nexo

Segundo Nogueira, da Rede Brasileira de Trilhas, equipes de resgate tendem a achar mais rápido pessoas que não estejam se locomovendo enquanto são procuradas. Por isso, escolha um lugar seguro e peça ajuda. As especialistas recomendam: