O site que explora o impacto de mulheres no design

A designer Eileen Gray

A designer Eileen Gray

Uma pesquisa do Museu de Design do Reino Unido publicada em 2018 mostrou que, em média, apenas um entre cinco designers que ocupavam postos de trabalho na área eram mulheres, apesar de elas serem a maioria nos cursos de design.

A necessidade de evidenciar a desigualdade de gênero no setor impulsionou um grupo de seis mulheres a criar o site Designing Women, que apresenta dados sobre o tema e histórias de mulheres designers. 

O site

O Designing Women é uma iniciativa das designers e escritoras Diana Kasay, Alya Datiy, Madeleine Morley, Tsvetelina Miteva, Vitaly Volk e Tatiana Egoshina.

A primeira versão do site foi publicada em 2019 e atualizada em 2024.

A iniciativa apresenta três elementos principais:

No ensaio, a autora Madeleine Morley afirma que a divisão entre homens e mulheres já aparecia nas primeiras escolas de design da Europa e da América do Norte no começo do século 20. As alunas eram deixadas de lado por não serem consideradas boas opções para cargos de liderança.

Além disso, tarefas mais repetitivas e que exigiam atenção aos detalhes eram direcionadas principalmente às mulheres. Por exemplo: as trabalhadoras não seriam escolhidas para fazer o design de uma capa de livro, mas para dispor o texto.

£ 4,000

é o quanto designers mulheres ganham a menos que seus colegas homens em média no Reino Unido, segundo uma pesquisa de 2018 do Escritório de Estatísticas Nacionais local

A falta de visibilidade no ambiente de trabalho fez com que as produções de designers mulheres fossem menos estudadas e suas histórias, pouco preservadas. 

Um dos efeitos disso está nos livros dos cursos de design. Rafael Lima, professor de design gráfico do IFPB (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba), mostrou em 2017 que havia uma enorme disparidade na quantidade de nomes masculinos e femininos citados em livros de história do design no Brasil. Em um dos casos, eram 447 homens contra 10 mulheres.

As mulheres no design

O Designing Women disponibiliza pequenas biografias de 21 mulheres que influenciaram a indústria no século 20. Entre elas, estão:

Eileen Gray (1878 – 1976)

Designer de interiores e arquiteta irlandesa, Gray é considerada uma das pioneiras do design moderno, com criações principalmente na França.

Uma foto em preto e branco que apresenta a sala de Madame Mathieu-Levy

Mobiliário de Eileen Gray na casa de Madame Mathieu-Levy

O pedido da modista Madame Mathieu-Lévy para que a irlandesa desenhasse seu apartamento na rue Lota em 1917 deu destaque à designer. Em 1922, ela abriu sua própria loja, a Galerie Jean Désert, onde expunha suas criações, como tapetes e móveis.

“Em 1926, durante uma época em que principalmente designers e arquitetos homens estavam apresentando mobiliários modernos, Gray criou a sua curvilínea e convidativa cadeira Bibendum – uma visão original e feminina nas geometrias e proporções que prevaleciam naquela época”, diz o site.

Elizabeth Friedlander (1903 – 1984)

Nascida em Berlim, Elizabeth Friedlander é considerada uma das primeiras mulheres a criar o design de uma fonte. 

O pedido partiu da Bauersche Giesserei, empresa fundadora de fontes tipográficas, em 1927. Friedlander a produziu, e a companhia a lançou com o nome “Elizabeth” em 1939.

A fonte "Elizabeth"

A fonte “Elizabeth”

Pouco tempo antes do lançamento, Friedlander, que tinha origem judia, teve que deixar a Alemanha para escapar da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A designer se mudou para a Itália e, posteriormente, para Londres. Lá, trabalhou na editora Penguin Books como chefe de tipografia e produção, desenvolvendo capas de livros.

Beatriz Feitler (1938 – 1982)

Também chamada de Bea, Beatriz Feitler é a única brasileira da lista do Designing Women.

Ela trabalhou na revista Senhor antes de se mudar para Nova York, onde assinou capas de publicações como Harper’s Bazaar — da qual se tornou editora de arte aos 25 anos —, Ms. e Rolling Stone.

Páginas de revista com design de Bea Feitler

Páginas de revista com design de Bea Feitler

Bea foi a primeira diretora de arte a colocar uma modelo negra na capa de uma grande revista de moda. Ela também foi uma figura essencial para o relançamento da revista Vanity Fair nos anos 1980 (a publicação havia circulado inicialmente entre 1913 e 1936).

Susan Kare (1954)

A americana Susan Kare elaborou os elementos de interface e ícones do Macintosh, linha de computadores da Apple, nos anos 1980. 

Ícone de erro no Macintosh no início dos anos 1980

Ícone de erro no Macintosh no início dos anos 1980

Após deixar a Apple, ela criou ícones e elementos de design para o Windows 3.0, sistema operacional da Microsoft. Também fez o design do jogo Paciência.

Gail Anderson (1962)

Gail Anderson elaborou capas de livros e pôsteres de peças da Broadway, além de ter trabalhado na revista americana Rolling Stone entre 1987 e 2002.

Página da Rolling Stone com design de Gail Anderson

Página da Rolling Stone com design de Gail Anderson

Na revista, Anderson elaborou fontes tipográficas expressionistas, que saíam do padrão dos tipos convencionais.