A maior obra de Salvador Dalí, que vai a leilão em Paris

Salvador Dalí em retrato posado em estúdio

‘Dali Atomicus’, obra de 1948 do fotógrafo Philippe Halsman

Considerada a maior obra produzida por Salvador Dalí, “Bacchanale”, datada de 1939, será a principal peça do leilão anual dedicado ao surrealismo da casa de leilões Bonhams, em Paris. O evento acontece no dia 26 de março, e a estimativa de venda varia entre R$ 1,2 e R$ 1,8 milhão, aproximadamente.

A peça foi criada com o objetivo de servir como pano de fundo para o balé Bacchanale, apresentado no Metropolitan Opera, em Nova York. Além da pintura, o artista espanhol participou da escrita do libreto do espetáculo e colaborou na concepção dos figurinos.

Neste texto, o Nexo relembra o surrealismo desenvolvido por Salvador Dalí e explica como surgiu a produção de sua maior obra.

O surrealismo de Dalí

Nascido na cidade de Figueres, na Espanha, Salvador Dalí (1904–1989) dedicou a vida ao estudo da arte e do surrealismo, campo em que se destacou globalmente, sobretudo por seu comportamento e por produções marcadas pela excentricidade.

Expulso da Academia de Belas Artes de San Fernando, em Madri, por incitar colegas contra a direção da instituição, Dalí passou a integrar o Movimento Surrealista ao se mudar para Paris. Ele se aprofundou no movimento ao lado de artistas como Max Ernst, René Magritte e Jean Arp, entre outros.

Retratos de Salvador Dalí

Retratos de Salvador Dalí, em 1962

Com representações oníricas e composições formadas por objetos justapostos e deformados, o artista explorou a irracionalidade em suas obras. “A persistência da memória”, datada de 1931, é frequentemente apontada como um exemplo emblemático de seu estilo, ao retratar relógios derretidos repousando sobre uma paisagem. 

A cena em questão combina elementos do imaginário com a realidade e propõe uma reflexão sobre a temporalidade.

Além da pintura e da escultura, Dalí se dedicou à escrita. Entre autobiografias e poesias, publicou obras como “A vida secreta de Salvador Dalí” (1942) e “Diário de um gênio” (1964), além dos versos de “O amor e a memória” (1931).

Seis andares de altura

Composta por 13 painéis que, juntos, formam uma extensão de 20 por 30 metros, “Bacchanale” serviu como cortina de fundo para o palco monumental do balé homônimo, criado por Dalí e interpretado pelo Ballet Russe de Monte Carlo.

Com uma altura equivalente a cerca de seis andares e construída sobre uma estrutura de madeira que se perdeu com o tempo, a obra se destaca por ser o primeiro projeto do artista para um cenário do Les Ballets Russes de Monte Carlo e por fugir do padrão de dimensão de suas outras produções.

Bacchanale (1939), a maior obra já criada por Salvador Dalí

‘Bacchanale’ (1939), a maior obra criada por Salvador Dalí

No centro da cortina, Dalí representou o Monte Vênus ao lado de um cisne, ambos posicionados diante da planície de Ampurdan, região onde nasceu o pintor. Também é possível identificar um templo inspirado no representado em “O casamento da Virgem” (1504), do artista italiano Rafael. 

A combinação desses símbolos, característica do universo surrealista, remete ao método paranoico-crítico de Dalí, que articulava sonhos, mitos e imaginação expansiva.

Apesar do valor estimado de venda girar entre € 200 mil e € 300 mil, o equivalente a algo entre R$ 1,2 milhão e R$ 1,8 milhão, a quantia é considerada relativamente modesta diante da importância histórica da obra e de sua escala dentro do mercado internacional de arte.