O que explica o sucesso longevo de ‘O diabo veste Prada’

Meryl Streep

Meryl Streep em ‘O diabo veste Prada 2’

Lançado originalmente em 2006, “O diabo veste Prada” ganhará uma sequência prevista para abril de 2026 no Brasil. Produzido pela 20th Century Studios e dirigido pelo cineasta David Frankel, o novo filme traz de volta nomes do elenco original, como Meryl Streep, Anne Hathaway, Stanley Tucci e Emily Blunt e retrata os desafios da editora Miranda Priestly diante do enfraquecimento da mídia impressa.

“O diabo veste Prada 2” tem movimentado as redes sociais mesmo antes da estreia nos cinemas. Um teaser com menos de 60 segundos bateu o recorde de trailer mais visto do ano ao ser lançado em novembro de 2025, alcançando 181,5 milhões de visualizações nas primeiras 24 horas. Além disso, bastidores das gravações viralizaram no Instagram e TikTok, acumulando milhares de interações.

Neste texto, o Nexo relembra o enredo original, apresenta as expectativas para a segunda parte e analisa as razões de seu sucesso duradouro.

O enredo original

Baseado no best-seller homônimo de Lauren Weisberger, a parte um do filme apresenta ao espectador Andy Sachs, personagem de Anne Hathaway, uma jornalista recém-formada que consegue um emprego como assistente na Runway, uma das revistas de moda mais prestigiadas de Nova York.

No primeiro contato com sua chefe, a editora-chefe Miranda Priestly, interpretada por Meryl Streep, Andy percebe que ela não é uma pessoa fácil de lidar. O emprego que acabou de conquistar rapidamente se revela um dos maiores desafios de sua incipiente carreira.

Além de lidar com o temperamento da chefe e com demandas cada vez mais urgentes, Andy enfrenta um conflito interno. Para se manter no cargo e construir uma boa reputação, passa a questionar os próprios gostos e valores. Isso envolve mudanças no estilo pessoal e na forma como enxerga o universo da moda — processo que também impacta suas relações pessoais.

US$ 326 milhões

foi o valor arrecadado pelo primeiro filme nas bilheterias mundiais

O longa foi produzido com orçamento de US$ 35 milhões e, ao todo, recebeu 53 indicações em premiações da indústria do cinema, como o Oscar, o Bafta e o Globo de Ouro. Foram 21 vitórias nas categorias em que concorreu.

Entre os destaques estão o prêmio de Meryl Streep no Globo de Ouro de 2007 como Melhor Atriz em Filme de Comédia ou Musical.

Um novo rumo para a história

No Brasil, o lançamento de “O diabo veste Prada 2” está previsto para 30 de abril. Nos Estados Unidos, o filme estreia em 1º de maio, fim de semana que antecede o Met Gala 2026, evento beneficente realizado em Nova York que reúne nomes da moda e da cultura pop.

Além do retorno dos principais nomes do elenco, David Frankel volta à direção e Aline Brosh McKenna, roteirista do primeiro filme, também participa do novo projeto. 

A sequência deve abordar mudanças no mercado editorial diante do avanço do meio digital e do consumo de conteúdo online. Segundo informações de bastidores, a trama mostrará Miranda Priestly lidando com a perda de influência das revistas impressas.

A editora também vai depender da ajuda de uma executiva do mercado de luxo para manter a revista — papel de Emily Charlton, ex-assistente de Miranda, agora em posição de destaque na indústria publicitária.

Desde as gravações, realizadas em 2025, registros dos bastidores circulam nas redes sociais, com locações em cidades como Nova York e Milão. 

@keri_nyc

Meryl Streep as Miranda Priestly on the set of The Devil Wears Prada 2 #devilwearsprada #devilwearsprada2 #merylstreep #mirandapriestly #newyorkcity #celebrity #movieset #foryou

♬ Boss Bitch – Doja Cat

Os vídeos, gravados pelo público, acumulam milhões de visualizações e geram especulações sobre a história.

@mickmicknyc

One scene. Two outfits. Two locations. Seven takes… 🎬 Anne’s running, Meryl’s gliding, Stanley’s serving sass — and we’re watching movie magic happen in real time. #DevilWearsPrada2 #BTS #MovieMagic #DevilWearsPrada #annehathaway #merylstreep #filming

♬ オリジナル楽曲 – パンダ – パンダ

Um reel publicado no Instagram da 20th Century Studios em fevereiro alcançou 25 milhões de visualizações e cerca de 49,5 mil compartilhamentos. Outro trailer, divulgado em março, reúne cerca de 3 milhões de visualizações, mais de 1.400 comentários e 10,1 mil interações.

 

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Um post compartilhado por 20th Century Studios (@20thcenturystudios)

Um sucesso atemporal

Para o escritor e crítico de cinema Pablo Villaça, criador do site Cinema em Cena, o sucesso de “O diabo veste Prada” não tem um “grande mistério”. Segundo ele, o filme segue uma estrutura narrativa já conhecida, que coloca um personagem iniciante diante de uma figura experiente. A relação entre os dois expõe comportamentos pouco admirados pelo público e, ao longo da história, ambos acabam aprendendo lições morais.

“A gente já viu isso em filmes como ‘Wall street’ (1987) e ‘Advogado do diabo’ (1997). Não é uma estrutura particularmente nova, mas essas estruturas são clássicas justamente porque funcionam”, disse Villaça ao Nexo.

Além do jogo entre desencantamento e encantamento, o crítico atribui o sucesso duradouro ao envolvimento que a trama cria com o espectador, sendo “um filme fácil de gostar”, graças ao elenco e ao enredo. “É um daqueles longas descompromissados que, quando você começa a assistir, acaba indo até o final porque você se importa com os personagens”, disse.

A identificação também é um fator que contribui para a audiência e ajuda a explicar por que o filme repercute entre diferentes gerações. “Quando você tem uma protagonista jovem, com ambição profissional, e se vê vulnerável, essa vulnerabilidade já inspira identificação por parte do público”, afirmou.

Mesmo com seu temperamento difícil, a personagem de Meryl Streep, na visão do crítico, transmite confiança e competência, além de ser interpretada por uma atriz naturalmente admirada pelo público. “Isso leva o espectador a não se projetar nela, mas a projetar o sonho de quem talvez gostaria de ser em termos de sucesso profissional. Ao mesmo tempo, podemos nos identificar moralmente com a outra personagem”.

Apesar de a narrativa funcionar bem com o público, Villaça acredita que ela não equilibra criticidade e entretenimento. “Eu acho que o primeiro filme, inclusive, é uma oportunidade desperdiçada de falar mais sobre o mundo da moda. É um universo distante para quem não faz parte da indústria, muitas vezes misterioso”, afirmou.

Segundo o crítico, o longa poderia explorar melhor, por exemplo, a influência e o impacto da alta costura sobre o consumo em lojas de departamento. “O primeiro filme acaba abandonando esse aspecto. O que poderia ser um comentário mais crítico ou revelador sobre a indústria é sacrificado para contar a história, o que também não deixa de funcionar”.

Quanto às expectativas para a segunda parte, Villaça disse estar curioso sobre como a trama vai realocar Andy de volta à Runway. A saída da personagem da revista, segundo ele, é apresentada como “a escolha certa e moralmente correta”. “Então, fico curioso para saber como ela volta a se envolver com a personagem da Meryl Streep”, disse.