
Cigarro no cinzeiro
Em meio às negociações do principal fórum global antitabagismo, a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), coordenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil pautou uma proposta inédita. Durante os encontros de novembro de 2025, na Suíça, a delegação brasileira propôs a proibição de filtros de cigarros. A aprovação da sugestão incluiria a medida no pacote de recomendações globais de políticas antifumo, como restrições a publicidade, fumo em locais fechados e impostos contra cigarros.
A justificativa: os danos ambientais causados pelo tabaco, já que cerca de 4,5 trilhões de bitucas são descartadas em ruas, praias e parques todos os anos. Isso as torna o lixo mais comum do mundo encontrado em coletas urbanas e, só no Brasil, traz prejuízos ambientais na faixa de R$ 1 bilhão, segundo estimativas da OMS. Além disso, há impacto na saúde: filtros são inócuos para proteger fumantes. Eles incentivam uma inalação mais profunda da fumaça e estão ligados a um tipo mais agressivo de câncer, o adenocarcinoma pulmonar. Só no Brasil, fumar causa 174 mil mortes e R$ 153 bilhões em prejuízos à economia ao ano, segundo o Inca.
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“Diante da ausência de benefícios à saúde e dos impactos ambientais, o Ministério da Saúde recomenda a proibição de características de produtos de tabaco e nicotina que agravem esses danos, como os filtros”, diz uma nota técnica da pasta, obtida pelo Joio, que subsidiou a posição brasileira levada à CQCT. “A proibição ajudaria a desconstruir a falsa sensação de segurança dos cigarros com filtro e poderia reduzir o consumo de tabaco.”
O Instituto Nacional do Câncer (Inca) e a Fiocruz também emitiram notas técnicas em apoio à proibição. Em Genebra, no entanto, a proposta brasileira de combater os danos ambientais do fumo foi desidratada durante as negociações e acabou aprovada sem menção aos filtros. Ainda assim, um grupo técnico da CQCT listou “banir filtros de cigarros” como uma das opções de “medidas futuras” de controle do fumo a serem avaliadas pelos mais de 180 países membros do tratado. Ou seja: no lugar de uma recomendação direta, virou uma ideia a ser considerada para os próximos anos.
Nas últimas décadas, especialistas em controle do tabaco têm buscado novas ideias de medidas antitabagismo. Após mirar restrições contra sabores de fumo, que apelam aos mais jovens, ou a adoção de embalagens-padrão sem logotipos ou cores para apagar a identidade das marcas, medidas que ainda não emplacaram no Brasil devido ao lobby do tabaco, os especialistas passaram a mirar nos filtros a partir dos anos 2000. Mais recentemente, os filtros foram ligados a riscos ambientais conforme as evidências cresceram. Em 2014, um relatório do governo dos EUA ressaltou a associação entre filtros e o adenocarcinoma.
Por isso, de lá para cá, a ideia de proibi-los começou a ganhar tração. Em setembro de 2025, o condado de Santa Cruz, na zona costeira da Califórnia, nos EUA, que reúne 30 cidades e 260 mil habitantes, decidiu banir filtros de cigarro a partir de 2027 – a primeira vez que uma restrição do tipo foi aprovada. Já parlamentares do Reino Unido incluíram a medida em uma emenda ao pacote antifumo do país, o Tobacco & Vapes Bill, que tramita desde 2024 e está em fase final de discussão. No Brasil, no entanto, uma análise concreta sobre a viabilidade do banimento ainda dá seus primeiros passos entre especialistas ligados ao Inca, à Fiocruz e ao Ministério da Saúde.
“A questão principal é que o filtro está sendo comercializado para manter as pessoas fumando”, diz o especialista em saúde pública Thomas NovotnVendidos como “redução de danos” ou “biodegradáveis” pela indústria do tabaco, filtros não protegem a saúde dos fumantes, estão ligados a um tipo mais agressivo de câncer de pulmão e ainda contaminam o meio ambiente ao soltar carcinógenos na natureza, professor emérito da San Diego State University, nos EUA, e codiretor do Center for Tobacco and the Environment (CTE). “Então só isso já significa que é pior para você do que fumar cigarros sem filtro, que fazem você fumar menos e são menos propensos a fazer com que crianças comecem a fumar.”
Hoje, a maioria dos filtros é feita de fibras de acetato de celulose, um bioplástico à base de madeira que pode ser inalado e inflamar os pulmões. Além disso, ainda que sejam vendidos como “biodegradáveis”, como um lixo que se degrada na natureza de meses a poucos anos após o descarte, isto não quer dizer que eles não sejam um resíduo perigoso. “Eles [a indústria] falam de como estão fazendo filtros biodegradáveis, mas isto é uma cortina de fumaça porque qualquer coisa irá se degradar na natureza em algum momento”, explica a pesquisadora Rosemary Hiscock, do grupo de pesquisa em controle do tabaco da Universidade de Bath, do Reino Unido. “Pode levar menos tempo, mas desse jeito os químicos [acumulados no filtro] apenas se soltam [no ambiente] mais depressa.”
Os contaminantes presentes na bituca vão desde nicotina a metais e hidrocarbonetos aromáticos (a maioria deles carcinógenos, como o benzeno), que podem se infiltrar na água e no solo. Esses coquetéis tóxicos ameaçam insetos, plantas e animais aquáticos. As sobras de um único cigarro já são o suficiente para contaminar pelo menos um litro de água e matar pequenos peixes, mostram estudos. A União Europeia considera as bitucas de cigarros um tipo de “plástico de uso único”, assim como as sacolas e copos plásticos.
Ainda assim, apesar do crescente consenso em torno dos riscos ambientais e à saúde causados pelos filtros, a tentativa de pautar a proibição junto à CQCT gerou uma imediata reação de políticos aliados ao lobby do fumo e a empresas de cigarros no Brasil. Parte disso envolveu velhas táticas da indústria: desde alegações enganosas sobre fumo e saúde até distorções sobre os impactos de “bioplásticos” no meio ambiente.
“Essa proposta [de banir filtros] vem na contramão da área da saúde: o filtro vem justamente para tentar melhorar a condição sanitária da produção do cigarro”, disse ao jornal Folha do Mate o deputado federal Marcelo Moraes (PL-RS), que viajou à Suíça durante a CQCT, pago com dinheiro público, para tentar defender os interesses das empresas de tabaco, apesar da proibição absoluta da participação de defensores da indústria na conferência.
A ideia de que filtros “melhoram” os cigarros é promovida pela indústria há décadas. Quando pesquisas que mostravam como fumar causa câncer começaram a inundar a imprensa norte-americana a partir dos anos 1950, a indústria do tabaco passou a vender a ideia de que filtros poderiam driblar esses riscos. A promessa era que eles seriam capazes de “filtrar” substâncias tóxicas como o alcatrão, o coquetel carcinógeno produzido pela combustão do fumo.
“O filtro foi [amplamente] introduzido na virada das décadas de 1950 para 60 nesse discurso de ‘redução de danos’, que é o mesmo usado para os cigarros eletrônicos, de ser uma forma de se fumar um cigarro ‘mais saudável’”, explica o epidemiologista André Szklo, pesquisador do Inca. “Na prática, não se viu nada disso, porque esse filtro não filtra de fato, deixa passar uma série de compostos químicos e permite a inalação de partículas mais finas.”
Um dos principais tipos de filtro lançados nos EUA na época, por exemplo, o “micronite”, era feito de amianto, fibra mineral que depois se descobriu causar câncer de pulmão. Isso não impediu que esses cigarros, da marca Kent, fossem vendidos como suaves e saborosos. No Brasil, a Kent ainda é vendida – hoje sem amianto – pela BAT (ex-Souza Cruz) como substituta dos extintos Free e Derby, antigos cigarros “jovens” e “de baixo custo” da multinacional de tabaco.
Antes disso, a maioria dos cigarros era fumado sem filtro, no máximo com uma espécie de piteira. No início dos anos 1960, o consumo de cigarros com filtro já superava o dos sem. Em anúncios de revistas, marcas diziam oferecer “a melhor proteção” aos fumantes ou resolver “o medo de fumar”. “A ilusão de filtragem é tão importante quanto a própria filtragem”, concluiu um relatório de 1966 da Philip Morris, a fabricante do Marlboro, chamado O potencial de mercado de um cigarro saudável.
O próprio Marlboro é um grande case de sucesso dos filtros. A marca foi criada nos anos 1920, inicialmente como um cigarro feminino de luxo. Seu slogan era “Mild as May” (um trocadilho que pode significar “suave como se deve”, “suave como maio” ou “suave como flores”). Ele era vendido com filtro ou piteira para evitar que as fumantes “comessem” o tabaco do cigarro sem filtro, promovidos com outro slogan: “Ivory Tips protect your lips”, ou “Pontas de marfim protegem seus lábios”.
Só que quando o medo do câncer passou a amedrontar os fumantes, a Philip Morris decidiu que seu cigarro feminino deveria passar a focar nos homens – a grande fatia do público fumante da época. Daí surgiu a figura dos Marlboro Men: o cowboy, o empresário, o sedutor, o intelectual e o desbravador, todos estampados mídia afora como exemplos de masculinidade. O esforço de marketing, que deu certo, servia para reposicionar o cigarro com filtro das madames ricas da primeira metade do século como o novo produto essencial para o homem da segunda.
Com os filtros, surgiram os cigarros light e ultra light, vendidos como produtos de “baixos teores de alcatrão e nicotina”. Na prática, eram cigarros com menos tabaco e mais químicos, como mentol e amônia, usados para suavizar a fumaça do fumo. “A indústria cobrava mais pelo filtro e ainda reduzia o gasto com tabaco”, explica o médico pneumologista Paulo Corrêa, professor da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). “Isso fez com que as pessoas vissem o cigarro com filtro em um primeiro momento e, depois, os com baixo teor, pela percepção de que seria um produto de menor risco.”
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o órgão responsável por regular produtos de tabaco no país, disse à reportagem que tem competência para regular os filtros dos cigarros, mas indicou que a análise de um eventual banimento não faz parte da agenda regulatória da agência para os próximos anos. Já o Ministério da Saúde afirmou ao Joio que “medidas regulatórias ou legislativas” referentes aos filtros “dependem de processos de discussão e pactuação no âmbito interministerial da Conicq (Comissão Nacional de Implementação da CQCT) e das instâncias competentes de formulação de políticas públicas”.
Os filtros permitiram a criação dos “cigarros de baixo teor” por meio de uma tecnologia chamada “ventilação”, pequenos furos ao redor da espuma que, ao tragar o tabaco queimado, permitiam que o ar se misturasse à fumaça. Com isso, na hora de medir os teores de nicotina e alcatrão em laboratório, por meio de uma “máquina de fumar”, era possível “manipular” os resultados artificialmente.
Isso porque, no mundo real, os fumantes “compensavam” os teores menores fumando mais cigarros, tragando mais profundamente ou tapando os poros de ventilação com a boca. “Você vai usar o cigarro para a dose que você precisa para manter teu nível de nicotina no sangue e não ter abstinência”, explica Corrêa. “O que a máquina registra não é o teor a que o fumante está exposto.”
Ainda assim, até hoje as indústrias defendem a tecnologia de ventilação dos filtros. Às vésperas da COP11, em uma reunião aberta da Conicq, Beatriz Gagliardo, uma lobista da JTI, a fabricante de Camel e Winston, tentou lançar dúvidas sobre o conceito, pacificado entre especialistas em controle do tabaco. “Alega-se que os fumantes compensam a ventilação do cigarro, por exemplo, fumando mais cigarros ou dando tragadas mais profundas, mas as evidências mostram que essa compensação não é completa, permanente ou universal”, relativizou Gagliardo, sem citar nenhum estudo.
A executiva da JTI também argumentou que seria “inadequado” à COP11 “revisar quais métodos são usados” para verificar os limites de alcatrão, nicotina e monóxido de carbono em cigarros. Ainda hoje, esses índices são medidos por meio de um padrão ISO estabelecido pela própria indústria, que usa tragadas de 2 segundos a cada um minuto, sem obstáculos à ventilação dos filtros, como sendo o equivalente ao absorvido por fumantes. Já as máquinas usadas nessas medições geralmente são feitas pela mesma indústria italiana que produz o maquinário que fabrica os equipamentos que produzem cigarros, picam fumo ou mesmo extraem nicotina líquida do tabaco.
Na oportunidade, Gagliardo também disse que filtros feitos de acetato de celulose não são “plásticos”, e sim “bioplásticos biodegradáveis”, e que se degradam no solo ou na água entre seis meses e três anos. A executiva da empresa de cigarros também relativizou o fato de bitucas serem uma das formas de lixo mais comum encontradas em ambientes urbanos e praias. Segundo ela, no lugar do número total de itens coletados, deveria ser considerada a porcentagem de massa que bitucas representam comparadas a todo o lixo coletado. “A avaliação de impacto da Comissão Europeia descobriu que, embora os filtros tenham sido o segundo item mais encontrado por contagem em unidades no ambiente marinho, eles representavam menos de 1% dos resíduos plásticos de uso único encontrados em peso”, disse Gagliardo.
Só que não é bem assim, já que bitucas de cigarros são “bombas químicas”, segundo o biólogo Ítalo Braga, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Embora a argumentação não seja tecnicamente errada, ela é desonesta porque quer trazer a impressão de que o produto é inócuo, quando na realidade não é”, explica Braga, que lembra que a palavra “plástico” significa “moldável” e que o termo “bioplástico” se refere à sua matéria-prima, que pode ser renovável, como a madeira, sem que isso tenha relação com menores impactos ao meio ambiente. “[O filtro de cigarro] não é biodegradável em um tempo razoável, além de carregar em si um coquetel químico altamente tóxico, que mesmo se degradando em três anos. Neste período, vai estar translocando, lixiviando compostos prejudiciais.”
Já a Associação Brasileira das Indústrias de Fumo, entidade que representa as empresas de cigarros BAT e Philip Morris, encaminhou um ofício ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) à época da COP11 para criticar o fato de os impactos ambientais dos filtros terem entrado na pauta da conferência. Na avaliação do setor, esse tema deveria ser discutido no âmbito da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Segundo o documento, a produção de tabaco no campo seria “desorganizada” se medidas que tentassem responsabilizar a indústria do fumo por danos ambientais causados pelos cigarros avançassem no fórum internacional. “É indiscutível hoje que bituca é um resíduo perigoso”, resume Braga.
Por outro lado, quando o tema do banimento dos filtros chegou à COP11, políticos pró-fumo também passaram a argumentar que a medida impulsionaria o contrabando. “Se retirar o filtro do cigarro com o consumidor do século 21 que já não fuma mais palheiro, é evidente que esse fumante vai importar cigarro ou comprar no mercado clandestino”, reclamou o deputado estadual e médico Airton Artus (PDT/RS). “Se resolvesse o problema do tabagismo, seria uma medida a ser avaliada, mas, como não resolve, nós vamos estar excluindo o mercado formal.”
“Qualquer proposta de medida que reduza a proporção de redução de fumantes, ou evidenciar o discurso falacioso da indústria, ela vai associar ao aumento do mercado ilegal”, rebate Szklo. Nem a Abifumo, que representa as empresas de cigarros BAT e Philip Morris, ou a JTI responderam às perguntas enviadas pelo Joio sobre filtros via e-mail.
“O Ministério da Saúde acompanha e participa das discussões técnicas sobre os impactos sanitários e ambientais associados aos filtros de cigarros. A pedido da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro Sobre Controle do Uso do Tabaco e de seus Protocolos (Conicq), a pasta elaborou justificativa técnica para subsidiar debates, com base em evidências científicas sobre os efeitos dos filtros na saúde pública e no meio ambiente.
A manifestação do Ministério da Saúde não determina decisões da Conicq, mas serve de subsídio para discussões. A justificativa, por exemplo, serviu de contribuição à proposta de decisão referente ao Artigo 18 da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT) para a COP 11.
Eventuais medidas regulatórias ou legislativas, contudo, dependem de processos de discussão e pactuação no âmbito interministerial da Conicq e das instâncias competentes de formulação de políticas públicas.”
1) Em tese, a Anvisa teria a seu alcance a capacidade de banir filtros de cigarros ou regulá-los, por exemplo, proibindo certas tecnologias e “aditivos”, como a ventilação, os filtros saborizados ou as bolinhas de sabor (click)? Ou filtros são um componente desses produtos que não podem ser regulados pela agência?
Anvisa Os filtros presentes nos cigarros são considerados parte do produto, portanto, a Anvisa possui competência para regulamentá-los. Trata-se de componente que pode trazer características específicas para o produto, sendo assim, a apresentação de informações quanto à sua composição e características está prevista no regulamento vigente de registro de produtos fumígenos. Assim, a RDC nº 14/2012 também se aplica a aditivos presentes no filtro dos produtos.
2) Em relação às tentativas da agência em proibir aditivos em produtos de tabaco, estas restrições se aplicavam também aos filtros ou somente ao tabaco em si? No caso, na hipótese de uma validação da RDC 14/2012 pelo STF, as regras eximiriam, por exemplo, filtros mentolados?
Anvisa Considerando que os filtros presentes nos cigarros são considerados parte do produto, o regulamento se aplica a tais componentes, assim, não podem conter os aditivos proibidos pela RDC nº 14/2012.
3) Em relação à agenda regulatória da agência, a análise de um eventual banimento de filtros está no horizonte? Reparei que o “controle da cadeia de suprimentos de produtos fumígenos” consta na agenda da agência para o próximo biênio. Isso poderá incluir regulações que visem filtros?
Anvisa A Agenda Regulatória 2026-2027 da Anvisa não prevê a publicação de regulamento sobre o tema. O controle da cadeia de suprimentos de produtos fumígenos não é o tema adequado para tratar eventual banimento de filtros.
4) Considerando que filtros vendidos separadamente ao tabaco em si, mas destinados ao uso em fumígenos roll-your-own, são usados e comercializados exclusivamente como componentes de produtos fumígenos, por qual razão eles não são regulados pela agência?
Anvisa A legislação atual referente aos produtos para tabaco não regulamenta o registro de partes separadas dos produtos derivados do tabaco, sendo obrigatório apenas o registro do produto final a ser comercializado. Dessa forma, filtro e papel para enrolar o cigarro não estão na abrangência do regulamento de registro vigente.