Erros na leitura ou apresentação de percentuais estão entre os mais comuns no jornalismo, e também entre os mais simples de corrigir.
Na maioria das vezes, os percentuais representam partes de um todo: 56,7% dos brasileiros são católicos; mulheres são apenas 1,7% dos ministros na história do Supremo; a Paraíba produz 20,3% do abacaxi nacional, e assim por diante.
Nesse tipo de dado, a soma das partes é, necessariamente, 100%. Isso permite o uso de gráficos de proporção, como treemaps ou gráficos de pizza (donut).

Em algum momento, vamos falar mais sobre gráficos de proporção e de alternativas para além do treemap e das pizzas/donuts.
No caso da população católica, 0,567 e 56,7% significam exatamente a mesma coisa — são apenas formas diferentes de expressar o mesmo valor. Isso porque 56,7% equivale a 56,7 dividido por 100.
Em geral, números com muitas casas decimais são mais difíceis de ler. Por isso, os percentuais costumam ser arredondados. No Nexo, adotamos como padrão uma casa decimal, buscando equilibrar precisão e clareza.

O mais importante é manter consistência ao longo do texto no número de casas decimais. Casos com duas casas são raros e costumam ocorrer quando os valores são muito baixos, exigindo maior precisão para diferenciar os dados.
Em títulos de uma matéria, a simplificação pode ir além. Por exemplo: “57% da população é católica” ou “Mais da metade da população é católica” são opções melhores.
Quanto mais arredondados os percentuais, maior a chance de a soma não fechar exatamente em 100% (como 99,8% ou 100,1%). Quando isso acontece, vale incluir uma observação explicando que a diferença decorre do arredondamento.
Na pesquisa Datafolha de março, Lula aparece com 46% das intenções de voto no segundo turno, contra 43% de Flávio Bolsonaro. Na pesquisa anterior, de dezembro, o senador tinha 36%.
À primeira vista, pode parecer que Flávio Bolsonaro cresceu 7%, mas isso está errado. Um aumento de 7% levaria o número de 36% para cerca de 38,5%. Isso porque os 7% são calculados sobre os 36% iniciais: primeiro se obtém 7% de 36%, e depois esse valor é somado aos 36%, chegando a cerca de 38,5%.
O correto é dizer que houve um aumento de 7 pontos percentuais. A diferença é simples, mas esse é um erro bastante comum.
Em uma edição futura dos bastidores do Nexo, vamos tratar de casos que fogem à lógica de “partes de um todo”. São situações em que os percentuais podem ultrapassar 100% ou expressar algo diferente de proporções — como variações e taxas.
Colaborou Clara Sobral.