
Visão aérea do Rock’n’Roll Hall of Fame and Museum em Cleveland
Os novos integrantes do Rock’n’Roll Hall of Fame foram anunciados na segunda-feira (13). Nomes como Oasis, Iron Maiden e Sade foram indicados e serão homenageados por suas contribuições musicais em uma cerimônia marcada para 14 de novembro, no Peacock Theatre, em Los Angeles.
Desde 1986, profissionais da indústria musical decidem aqueles que serão homenageados por suas trajetórias, em diferentes categorias. Ao longo das décadas, a cerimônia passou a contemplar cantores e bandas de diversos gêneros – como hip-hop, pop e jazz –, mas atraiu críticas ao dar pouca atenção a outros estilos, como o heavy metal.
Neste texto, o Nexo explica o que é o Rock’n’Roll Hall of Fame, as mudanças pelas quais passou ao longo dos anos e os principais questionamentos à instituição.
Em 1983, figuras da indústria musical, como Ahmet Ertegun, cofundador da gravadora Atlantic Records, e Jann Wenner, editor da revista Rolling Stone, criaram a fundação Rock’n’Roll Hall of Fame com a missão de homenagear artistas relevantes para a história do rock.
Doze anos depois, em 1995, eles também inauguraram o Rock and Roll Hall of Fame and Museum, museu em Cleveland, no estado americano de Ohio. A instalação – construída em parceria com as autoridades locais – traz exposições temáticas sobre músicos e as origens e influências do rock.
US$ 65 milhões
foi o investimento de autoridades municipais de Cleveland para a inauguração do museu. O custo total ficou estimado em US$ 92 milhões
Os artistas homenageados começaram a ser indicados ao Rock’n’Roll Hall of Fame em 1986, antes mesmo de a fundação ter uma sede física.
Naquele ano, Elvis Presley, Little Richard, Ray Charles e Buddy Holly foram alguns dos primeiros indicados em uma cerimônia conduzida no hotel Waldorf Astoria, em Nova York.
Desde a abertura do museu, em 1995, a cerimônia de celebração dos homenageados alterna entre as cidades de Cleveland, Nova York e Los Angeles.
O comitê de nomeações do Rock’n’Roll Hall of Fame – composto por cerca de 40 pessoas, incluindo membros atuais do hall, artistas, historiadores, jornalistas e outros profissionais da indústria musical – se reúne anualmente para criar uma lista de indicados elegíveis.
O principal critério para a elegibilidade é que o indicado (seja ele um intérprete, compositor ou músico) tenha lançado seu primeiro trabalho comercial pelo menos 25 anos antes do ano da indicação, e tenha demonstrado excelência, impacto e influência musical.
Depois, mais de 1.200 membros votantes decidem os finalistas. Desde 2012, os fãs também podem participar. O nome mais votado por eles forma um voto oficial, que compete com os votos individuais de cada membro do comitê de nomeações.
Em 2026, a banda New Edition foi a preferida dos fãs, recebendo mais de um milhão de votos. Em conjunto, os votos representaram 0,08% do processo de seleção e o grupo não foi indicado para a premiação.
Os homenageados podem ser enquadrados em uma dentre quatro categorias diferentes:
A lista final de homenageados – que geralmente tem de seis a 12 nomes – é anunciada após os resultados das votações. Uma cerimônia de indução acontece meses depois. No evento, há tributos e apresentações dos artistas.
Artefatos e fotografias dos indicados integram uma galeria do museu. Ela também apresenta informações sobre discos de sucesso e instrumentos tocados pelos artistas.
Em 2026, além de Oasis, Iron Maiden e Sade, também serão homenageados na categoria principal Phil Collins, Wu-Tang Clan, Joy Division/New Order, Billy Idol e Luther Vandross.
Em resposta ao anúncio, Liam Gallagher, um dos membros do Oasis, escreveu na rede social X um agradecimento a todos que votaram na banda.
“É uma verdadeira honra. Desde pequeno, quando cantava no chuveiro, sonhava em um dia estar no Rock’n’Roll Hall of Fame. É verdade o que dizem: tudo é possível se você tem um sonho”
Liam Gallagher
membro da banda Oasis em postagem no X
Antes, em 2024, Gallagher havia postado nas redes sociais que não precisava “de um prêmio idiota entregue por um geriátrico de chapéu de caubói”.
Já o Iron Maiden publicou um comunicado em seu site sobre a indicação: “O Iron Maiden sempre priorizou o relacionamento com nossos fãs acima de tudo, incluindo prêmios e reconhecimentos da indústria. No entanto, é sempre bom ser reconhecido e homenageado por quaisquer conquistas dentro da indústria musical também!”.

A cantora Sade em uma fotografia com os membros de sua banda em 1986
Mariah Carey (indicada três vezes), Jeff Buckley, Lauryn Hill, The Black Crowes, Shakira e P!nk estão entre os artistas que foram pré-selecionados, mas não entraram no Rock’n’Roll Hall of Fame.
Na categoria de musicistas influentes de outros estilos, serão homenageados artistas como a americana Queen Latifah, influente no rap feminino, a cubana Celia Cruz, conhecida como a “rainha da salsa”, e o nigeriano Fela Kuti, um dos responsáveis pela criação do gênero afrobeat.
A compositora Linda Creed e os produtores Arif Mardin, Jimmy Miller e Rick Rubin receberão o prêmio de “excelência musical”. Já o prêmio Ahmet Ertegun será entregue para Ed Sullivan, cujo programa “The Ed Sullivan Show” ajudou a impulsionar a carreira de músicos como Elvis Presley, The Jackson 5 e os Beatles.
Uma das críticas de artistas e profissionais da indústria ao Rock’n’Roll Hall of Fame é a desvalorização de mulheres e de certos gêneros musicais, como o heavy metal. Uma das bandas símbolos desse estilo é o Iron Maiden, que estava elegível para a premiação desde 2005, mas precisou de mais de 20 anos para ser selecionado.
Em 2018, Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, disse em entrevista ao jornal The Jerusalem Post que, caso algum dia a banda fosse indicada, recusaria a homenagem. “Eles não vão ter meu cadáver lá”, afirmou.
O jornalista Kory Grow, em artigo publicado em 2023 na revista Rolling Stone, escreveu que instituições tradicionais, como o hall da fama do rock e o Grammy, geralmente classificam o heavy metal como “bruto, impetuoso e raivoso”. Filmes como “This Is Spinal Tap” (1984), que satiriza bandas do heavy metal, também fizeram com que o gênero ganhasse a reputação de “feito de idiotas para idiotas”, segundo Grow.
Outros gêneros são sub-representados nas indicações ao Rock’n’Roll Hall of Fame, segundo críticos musicais. Entre os mais citados estão o rock progressivo, o rock alternativo e o indie rock.
Os organizadores do evento também são questionados pela falta de destaque às mulheres, especialmente mulheres negras e latinas. No ano de inauguração do Rock’n’Roll Hall of Fame, nenhuma mulher foi homenageada. A situação se repetiu outras cinco vezes, a mais recente em 2016.
Courtney Love, vocalista e guitarrista da banda Hole, escreveu no jornal The Guardian em 2023 que a organização demorou tempo demais para homenagear artistas como Kate Bush, Nina Simone e Tina Turner.
“Se o Rock’n’Roll Hall of Fame não estiver disposto a analisar as maneiras pelas quais reproduz a violência do racismo estrutural e do sexismo que os artistas enfrentam na indústria da música, se não puder honrar devidamente o que as artistas visionárias criaram, inovaram, revolucionaram e contribuíram para a música popular – então que vá para o inferno”, escreveu Love.