Como a Fifa vai tentar coibir a ‘cera’ na Copa do Mundo

Substituição durante amistoso entre Brasil e Croácia, em Orlando, nos EUA. Três pessoas estão aguardando para entrar em um gramado. Ao lado, um homem com uma placa luminosa

Substituição durante amistoso entre Brasil e Croácia, em Orlando, nos EUA

Órgão responsável pelas regras do futebol, a International Football Association Board confirmou na segunda-feira (1º) mudanças para a Copa do Mundo de 2026. As alterações já entraram em vigor nos amistosos preparatórios para o torneio, que começa em 11 de junho. 

As principais mudanças fazem parte de um esforço de otimizar o tempo das partidas. Entidade máxima do esporte, a Fifa entende que um jogo deveria ter, no mínimo, 60 minutos de bola rolando – cerca de 66% dos 90 minutos de uma partida. A maioria dos campeonatos mundo afora, no entanto, não consegue alcançar esse patamar

45 minutos 

é o tempo de bola rolando em um jogo do Campeonato Brasileiro, de acordo com levantamento de abril de 2026 do CIES Football Observatory

Uma das principais dificuldades para atingir a meta da Fifa é a chamada cera – quando os jogadores tentam tapear a arbitragem simulando lesões ou retardando a cobrança de bolas paradas.

As mudanças também alteraram o protocolo do VAR, o árbitro de vídeo. Além disso, os jogadores que cobrirem a boca para se dirigir aos adversários poderão ser expulsos da partida. A decisão veio após o brasileiro Vinícius Júnior acusar o argentino Gianluca Prestianni de proferir insultos racistas na partida entre Benfica e Real Madrid, pela Champions League, em fevereiro. 

Tentativas de impedir a cera 

As regras do futebol são um conjunto de 17 artigos sobre a conduta que jogadores, treinadores e árbitros devem seguir no decorrer de uma partida. 

A primeira das mudanças para coibir a cera estabeleceu um limite de 10 segundos para que uma substituição seja feita. Caso um jogador exceda o tempo para sair de campo, o reserva precisará esperar pelo menos um minuto para entrar em campo. 

Além disso, os árbitros devem fazer uma contagem regressiva de cinco segundos em cobranças de arremessos laterais e tiros de meta. Ao passar esse tempo, a posse da bola vai para o time adversário. 

A punição para o atraso no reinício do jogo por parte dos goleiros está em curso desde março de 2025. O jogador tinha oito segundos para repor a bola em jogo antes de ser penalizado com um escanteio para o adversário.  

O protocolo do VAR 

A instituição do VAR em 2017 veio acompanhada da recomendação de que o árbitro de vídeo seja utilizado em casos de “erros óbvios” ou “omissões muito comprometedoras”, com potencial de alterar o resultado de uma partida. Entre esses casos, estão:

As mudanças da Ifab permitem que o VAR analise casos de segundo cartão amarelo incorretos, que resulta na expulsão do jogador. O árbitro de vídeo também poderá avisar ao árbitro de campo que um escanteio foi marcado erroneamente – desde que não atrase o reinício do jogo.