Em 2026, a maioria dos governadores não poderá disputar um novo mandato. Apenas nove estão em primeiro mandato e, portanto, aptos à reeleição em outubro.
Cinco desses nove governadores são do Nordeste, três deles filiados ao PT. Outro nome que pode tentar um segundo mandato é Tarcísio de Freitas (Republicanos/SP), que tem reiterado a intenção de disputar a reeleição, descartando, ao menos por ora, a renúncia para concorrer à presidência da República.
Governadores que buscam a reeleição podem permanecer no cargo durante a campanha. Já aqueles que pretendem disputar outros cargos, como o Senado ou a Presidência, precisam se desincompatibilizar (ou seja, renunciar ao cargo) até seis meses antes do pleito. Em 2026, esse prazo termina em 4 de abril.

Confira a situação em cada unidade federativa, com informações apuradas até 5 de fevereiro de 2026:
Acre: Gladson Cameli (PP) deve renunciar ao cargo para disputar o Senado. Cameli já foi senador, antes de se eleger governador em 2018. Mailza Assis (PP) deve assumir o governo em abril.
Amapá: Clécio Luís se filiou ao União Brasil no dia 30 de janeiro, com apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Clécio é pré-candidato à reeleição.
Amazonas: Wilson Lima (União Brasil) deve renunciar ao cargo para disputar uma vaga ao Senado. Tadeu de Souza (Avante) deve assumir o governo em abril.
Pará: Helder Barbalho (MDB) não pode concorrer à reeleição. O governador deve disputar o Senado, renunciando para que a vice, Hana Ghassan (MDB), assuma o cargo.
Rondônia: Marcos Rocha (PSD) não pode concorrer à reeleição. O governador, que trocou o União pelo PSD de Kassab, pode ser candidato ao Senado. Se renunciar, assume o vice, Sérgio Gonçalves (União).
Roraima: Antonio Denarium (PP) não pode concorrer à reeleição. É pré-candidato ao Senado. Com a renúncia, assume o vice Edilson Damião (Republicanos).
Tocantins: Wanderlei Barbosa (Republicanos) era o vice-governador e assumiu o estado, de forma definitiva, após a renúncia de Mauro Carlesse. Foi reeleito em 2022 e afastado do cargo em 2025, por conta de uma investigação sobre desvios de recursos. Voltou ao cargo em dezembro de 2025, após decisão do ministro do STF, Nunes Marques.
A princípio, deve finalizar o mandato e não se candidatar a outros cargos. Caso mude de ideia e renuncie, o vice Laurez Moreira (PSD) assume o governo.
Alagoas: Paulo Dantas (MDB) foi escolhido governador de Alagoas pela Assembleia Legislativa em 2022, após a renúncia de Renan Filho (MDB), que deixou o cargo para disputar o Senado. À época, o estado não tinha vice-governador. No mesmo ano, Dantas foi eleito pelo voto popular, mas, por já ter exercido o mandato, não pode se candidatar novamente ao governo em 2026.
O governador tem sinalizado que pretende permanecer no cargo até o fim do mandato, embora haja especulações sobre uma possível candidatura ao Senado. Caso renuncie, o vice-governador Ronaldo Lessa (PDT) assumirá o governo.
Bahia: Jerônimo Rodrigues (PT) é pré-candidato à reeleição. Deve reeditar a disputa com ACM Neto (União Brasil) pelo governo.
Ceará: Elmano de Freitas (PT) é pré-candidato à reeleição. A principal disputa deve ser com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB).
Paraíba: João Azevêdo (PSB) não pode se candidatar à reeleição. O governador pode sair candidato ao Senado, renunciando para que o vice, Lucas Ribeiro (PP), assuma o governo.
Pernambuco: Raquel Lyra (PSD) é pré-candidata à reeleição. A governadora se aproximou do governo Lula e trocou o PSDB pelo PSD em 2025. O principal adversário deve ser João Campos (PSB), prefeito de Recife que também é próximo a Lula.
Piauí: Rafael Fonteles (PT) é pré-candidato à reeleição. Aparece como favorito nas pesquisas eleitorais.
Rio Grande do Norte: Fátima Bezerra (PT) não pode concorrer à reeleição e deve ser candidata ao Senado. Se renunciar, a Assembleia Legislativa terá que eleger um governador tampão. O vice, Walter Alves (MDB), disse que não assumirá o cargo, com a renúncia de Fátima, porque é pré-candidato a deputado estadual.
Sergipe: Fábio Mitidieri (PSD) é pré-candidato à reeleição. Aparece como favorito nas pesquisas eleitorais.
Distrito Federal: Ibaneis Rocha (MDB) não pode se candidatar à reeleição. O governador se coloca como pré-candidato ao Senado. Ainda não está claro se a relação do BRB, banco controlado pelo governo do DF, com o escândalo do Banco Master não vai prejudicar os planos de Ibaneis. Se renunciar, quem assume é a vice, Celina Leão (PP).
Goiás: Ronaldo Caiado deixou o União Brasil e se filiou ao PSD, postulando como pré-candidato à presidência. Se renunciar ao cargo para disputar a presidência ou outro cargo, quem assume é o vice Daniel Vilela (MDB).
Mato Grosso: Mauro Mendes (União) não pode disputar a reeleição. O governador ainda não definiu se será candidato ao Senado. Se renunciar, assume o vice, Otaviano Pivetta (Republicanos).
Mato Grosso do Sul: Eduardo Riedel (PP) é pré-candidato à reeleição. O governador deixou o PSDB em 2025. Com sua saída, o PSDB ficou sem governadores estaduais pela primeira vez desde sua fundação.
Espírito Santo: Renato Casagrande (PSB) não pode disputar um novo mandato. Desponta como um dos favoritos a uma vaga no Senado. Se renunciar, quem assume é Ricardo Ferraço (MDB).
Minas Gerais: Romeu Zema (Novo) não pode se reeleger e se coloca como pré-candidato à presidência. Se renunciar, quem assume é o vice Mateus Simões, que trocou o Novo pelo PSD.
Rio de Janeiro: Cláudio Castro (PL) era vice-governador e assumiu o governo após o impeachment de Wilson Witzel, em 2021. Foi reeleito em 2022 e não pode disputar um novo mandato.
Se renunciar para disputar o legislativo, a Assembleia Legislativa precisa eleger um governador tampão. O Rio de Janeiro não tem vice-governador desde 2025, após Thiago Pampolha renunciar ao cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do estado.
São Paulo: Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou ser pré-candidato à reeleição, embora houvesse pressão de aliados para disputa presidencial. O governador apoia a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência. Em uma eventual renúncia, assume o vice Felício Ramuth (PSD).
Paraná: Ratinho Júnior (PSD) não pode se reeleger e se coloca como pré-candidato à presidência. É possível que dispute uma vaga no Senado. Em caso de renúncia, assume Darci Piana (PSD).
Rio Grande do Sul: Eduardo Leite (PSD) se coloca como pré-candidato à presidência. Eleito governador em 2018, renunciou ao cargo em 2022 para tentar viabilizar uma candidatura presidencial, que acabou não se concretizando. No mesmo ano, foi novamente eleito governador, mas, pelas regras eleitorais, esse segundo mandato é considerado reeleição.
Assim, Leite não pode disputar um novo mandato em 2026. Caso renuncie ao cargo, seja para tentar a presidência ou outra função eletiva, quem assume o governo é o vice Gabriel Souza (MDB).
Santa Catarina: Jorginho Mello (PL) é candidato à reeleição. Aparece como favorito nas pesquisas eleitorais.