
Chamas após ataque em Teerã, capital do Irã
Donald Trump anunciou na segunda-feira (23) a suspensão de qualquer ataque às centrais elétricas e infraestruturas energéticas do Irã por cinco dias, por conta, segundo ele, da abertura de negociações entre os países. As autoridades iranianas negam as declarações.
O anúncio do presidente americano ocorreu dois dias depois de ele ameaçar atacar estruturas energéticas caso o Irã não desbloqueasse o Estreito de Ormuz. Em resposta, o regime persa ameaçou destruir infraestruturas energéticas de aliados americanos no Oriente Médio.
Neste texto, o Nexo explica a importância dessas estruturas para o Irã e para o mercado global.
O Irã é um país persa de maioria xiita localizado na Ásia Ocidental. É a segunda maior nação do Oriente Médio e a 18ª mais populosa do mundo, com 87 milhões de habitantes. É uma potência militar, com um programa nuclear avançado que preocupa nações do Ocidente.
O país está localizado numa das principais rotas comerciais globais de energia, o Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico — pelo qual passa 20% da produção de petróleo e 20% da produção de gás natural do mundo, segundo a EIA, a agência americana de energia.

O Irã também tem a terceira maior reserva mundial de petróleo — depois da Venezuela e da Arábia Saudita —, com 209 milhões de barris, e a segunda de gás natural — depois da Rússia —, com 1.200 trilhões de pés cúbicos, segundo a EIA.
24%
é o que representavam as reservas iranianas de petróleo em relação ao Oriente Médio em 2023
12%
é o que representavam as reservas iranianas de petróleo em relação ao mundo em 2023
45%
é o que representavam as reservas iranianas de gás natural em relação à Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) em 2023
16%
é o que representavam as reservas iranianas de gás natural em relação ao mundo em 2023
As produções iranianas de petróleo e gás natural não são tão altas quanto poderiam ser por causa da falta de investimentos e de sanções internacionais. Ainda assim, o país foi o quarto maior produtor de petróleo bruto da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e o terceiro maior produtor mundial de gás natural em 2023.
O sistema elétrico do Irã é extenso, altamente dependente da geração termelétrica e amplamente disperso — o que dificulta sua desativação por meio de ataques militares limitados —, segundo o canal britânico Iran International.
130
é a quantidade de usinas termelétricas que operam no país; elas são responsáveis por cerca de 95% da eletricidade consumida no território iraniano, segundo o Iran International
A maior instalação energética do Irã é a usina termelétrica de ciclo combinado de Damavand, com capacidade de cerca de 2.900 megawatts, no sudeste da província de Teerã. Segundo o jornal americano The New York Times, essa usina fornece mais de um terço da energia da capital, que tem cerca de 10 milhões de habitantes.
Outras centrais elétricas do país são:
O país persa também conta com dezenas de instalações de gás, incluindo campos de gás e plantas de processamento, que se concentram principalmente no sul do território e ao longo do Golfo Pérsico.
98
é a quantidade de infraestruturas ligadas ao setor de gás no Irã, segundo dados compilados pela agência de notícias Bloomberg
O maior desses campos — o complexo de gás natural liquefeito de South Pars, compartilhado com o Qatar (onde é conhecido como North Field) no Golfo Pérsico — foi atacado por Israel em 18 de março.
Outros campos importantes no Irã são North Pars, Golshan, Ferdowsi, Kangan e Nar.
Há também a usina nuclear de Bushehr, a única que produz energia nuclear no país, usada para gerar eletricidade.
Outras estruturas importantes são as instalações petrolíferas, espalhadas por diversas regiões, principalmente no sul e no oeste iranianos. São campos em terra, plataformas marítimas, refinarias, terminais de exportação e oleodutos.
O principal terminal de exportação petrolífera do país é a Ilha de Kharg, no Golfo Pérsico, responsável por cerca de 90% das vendas do óleo iraniano. Os EUA atacaram o local em 13 de março, mas não danificaram instalações energéticas.
Já o maior campo petrolífero em terra do Irã é o de Ahvaz. O segundo e o terceiro são os de Gachsaran e Marun. O país conta ainda com campos em alto-mar, como os de Abuzar, Foroozan, Doroud e Salman, no Golfo Pérsico.
Há também a refinaria de Abadan, uma das mais antigas e maiores do Oriente Médio, com capacidade de refinar cerca de 360 mil barris de petróleo por dia.
Outros exemplos são as refinarias de Isfahan (370 mil barris de petróleo por dia), de Bandar Abbas (320 mil) e Teerã (250 mil), Arak (250 mil) e Tabriz (115 mil barris), segundo a S&P Global, empresa americana de análise financeira.
O Irã é um país árido, que sofre regularmente com problemas hídricos e alta demanda por eletricidade, sobretudo no verão. A eletricidade produzida nas centrais iranianas é quase exclusivamente para consumo doméstico, assim como parte do petróleo e gás.
Apesar disso, por conta das exportações, o setor energético é vital para a economia iraniana, respondendo por 25% do PIB (Produto Interno Bruto) do país. A China é a principal compradora de gás natural e de petróleo iraniano. Paquistão, Emirados Árabes Unidos, Armênia e Turquia também são grandes parceiros comerciais no setor.
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O ataque às infraestruturas energéticas afeta a economia iraniana, que enfrenta uma crise há anos. A situação tem se agravado desde 2018, no primeiro governo Trump, quando os EUA deixaram o acordo nuclear e voltaram a impor sanções econômicas ao país persa, reduzindo o comércio de petróleo e isolando os iranianos dos bancos globais.
Os problemas pioraram após o conflito entre Israel e Irã em junho de 2025, quando o governo israelense atacou instalações nucleares, energéticas e militares e áreas civis do país persa, desencadeando 12 dias de guerra. Os EUA também bombardearam instalações nucleares iranianas, danificando-as.
A moeda iraniana, o rial, se desvalorizou, chegando à mínima histórica de 1,3 milhão de riais por dólar americano. A inflação registrada em dezembro de 2025 foi de 52,6% e a inflação média anual foi de 42,2%, segundo o SCI, a agência de estatísticas iraniana. Isso elevou os preços de bens essenciais, aumentando o custo de vida e corroendo o salário da população.
Essa situação levou a protestos de comerciantes de Teerã em 28 de dezembro de 2025, que receberam a adesão de estudantes e outras classes ao redor do país. Os atos duraram até meados de janeiro. A internet foi bloqueada por semanas. Mais de 7.000 pessoas foram mortas pela repressão do regime.