
Rue (Zendaya) em cena de “Euphoria”
O primeiro episódio da terceira temporada de “Euphoria” foi ao ar no domingo (12). A trama acompanha os personagens principais da série cinco anos após os eventos da segunda temporada.
A produção é uma das mais famosas da HBO e considerada representativa dos dilemas adolescentes da geração Z, nascidos entre o fim dos anos 1990 e início da década de 2010. Mas a nova temporada chega com uma recepção negativa da crítica e saídas do elenco original.
Neste texto, o Nexo aborda a fama de “Euphoria”, explica o que houve durante o período de hiato e mostra por que a terceira temporada retorna polêmica.
Dirigida por Sam Levinson, filho do diretor de cinema Barry Levinson, “Euphoria”, que estreou em 2019, é baseada numa série israelense de mesmo nome, de 2012. Os dois seriados acompanham as experiências de um grupo de estudantes de ensino médio em relação a drogas, sexo, inseguranças e amizades.
A trama americana é narrada por Rue (Zendaya), uma adolescente de 17 anos viciada em pílulas que na primeira temporada acabou de sair da reabilitação após uma overdose.
Além de Rue, a série acompanha Jules (Hunter Schafer), seu interesse amoroso; o casal de namorados Nate (Jacob Elordi) e Maddy (Alexa Demie); e as irmãs Cassie (Sydney Sweeney) e Lexi (Maude Apatow).
80%
é a avaliação da primeira temporada de “Euphoria” no Rotten Tomatoes, site que agrega avaliações de críticos
A série se tornou famosa por cenas explícitas de sexo e abuso de drogas. Em 2019, o PTC (Conselho de Pais à Televisão americano, da sigla em inglês) afirmou que a HBO parecia estar “aberta e intencionalmente comercializando conteúdo adulto extremamente gráfico – sexo, violência, palavrões e uso de drogas – para adolescentes e pré-adolescentes”.
Mas, para alguns críticos, a representatividade adolescente em “Euphoria” foi uma novidade positiva diante de outros seriados.
Em artigo para a revista Esquire, a crítica Olivia Ovenden afirmou que a série rompeu com os clichês da televisão — ao apresentar experiências adolescentes, as obras costumam apostar em dois cenários: glamourizam o abuso de drogas, a automutilação e transtornos alimentares, ou usam esses temas para criar tramas má escritas, que serão abandonadas depois.
“Diferentemente de tantos dramas adolescentes medianos, ‘Euphoria’ explora as realidades da vida moderna com sensibilidade e honestidade”, escreveu.
Depois da primeira temporada, a série teve dois episódios especiais: “Trouble Don’t Last Always” (2020), que foca em Rue, e “Fuck Anyone Who’s Not a Sea Blob” (2021), com Jules como protagonista.
Em 2022, a segunda temporada foi ao ar. A recepção da crítica foi praticamente igual à da primeira, com 78% de avaliações positivas, segundo o Rotten Tomatoes.
Diferentes fatores afetaram o lançamento da nova temporada de “Euphoria”, como a greve dos roteiristas e atores de 2023 e novos projetos do elenco.
Alguns atores que fazem parte de “Euphoria” participaram de outras produções desde o lançamento da primeira temporada. Zendaya fez de “Duna” (2021) e “Rivais” (2024), e Jacob Elordi foi indicado ao Oscar por seu papel em “Frankenstein” (2025). Já a atriz Sydney Sweeney protagonizou “Todos menos você” (2023) e “A empregada” (2025).
Outro fator para a demora da terceira temporada foi “The Idol”, seriado de 2023 cocriado por Sam Levinson e o cantor The Weeknd. A produção — priorizada pelo diretor em detrimento de “Euphoria” — teria sido um dos motivos para afastar Zendaya da produção executiva da série, posição ocupada nas duas primeiras temporadas.
Além disso, integrantes do elenco tiveram divergências criativas com Levinson. Barbie Ferreira, que interpretou Kat, por exemplo, apareceu menos na segunda temporada por discordar do rumo que a personagem estava seguindo. Ela deixou a produção em 2022.
Na terceira temporada, Austin Abrams, que interpretou o namorado de Kat, deixou o seriado, assim como Storm Reid, irmã de Zendaya na produção.
Em março, Labrinth, que foi compositor das duas primeiras temporadas, anunciou sua saída de “Euphoria” numa postagem no Instagram afirmando que não deixa “ninguém me tratar que nem merda”.
Somado a isso, pessoas ligadas à série morreram nos quatro últimos anos. Angus Cloud, que interpretava o traficante Fez, faleceu em 2023 após uma overdose acidental de drogas, que incluía fentanil. Já Eric Dane, o pai de Jacob Elordi na trama, morreu em fevereiro após complicações de Ela (esclerose lateral amiotrófica).
Na terceira temporada, os personagens de “Euphoria” deixaram o ensino médio, mas ainda têm contato entre si. Rue deve milhões de dólares a uma traficante de drogas. Nate está prestes a se casar com Cassie, que se tornou criadora de vídeos sexuais. Já Jules é acompanhante de luxo, após deixar a faculdade de arte.
Novos atores integram a produção. A cantora Rosalía interpreta uma stripper e a atriz Sharon Stone (“Instinto selvagem”) é a chefe de Lexi.
Eric Dane aparece na série, já que conseguiu participar das filmagens da terceira temporada de “Euphoria” e chegou a gravar todas as cenas do personagem. O personagem de Angus Cloud é lembrado em conversas entre os protagonistas.
“A morte dele [Cloud] gerou raiva – não apenas por ele, mas pelas várias vidas jovens nos Estados Unidos que acabaram cedo demais por causa do fentanil. Essa temporada foi minha maneira de homenagear Angus e todos os garotos que não receberam uma segunda chance”, disse Levinson em entrevista ao jornal The New York Times.
A recepção da crítica foi pior que nas temporadas anteriores. Para a crítica de TV Roxana Hadadi, o diretor falhou na tentativa de criar uma produção sobre os perigos do fentanil e do vício. “Ao invés disso, o que ele criou – mais uma vez – é uma série habilmente filmada, tão belamente iluminada quanto emocionalmente vazia”, escreveu no site Vulture.
42%
é a avaliação de críticos à terceira temporada de “Euphoria”, de acordo com o site Rotten Tomatoes
Levinson também falhou ao querer retratar o atual sentimento de injustiça nos EUA, segundo Hadadi. “Momentos que apontam para a cultura americana como predominantemente corrupta e hipócrita são vislumbres fascinantes do que podem ser os pensamentos de Levinson sobre o nosso inconsciente coletivo. Mas então ele corta a cena para mostrar uma personagem feminina sendo alegremente objetificada, e o sentimento de que ‘Euphoria’ está oferecendo algo profundo, mais significativo, colapsa”, escreveu.