As diferentes mitologias da franquia ‘God of War’

O personagem Kratos, de "God of War" (2018). Imagem digital de um homem branco de barba. O fundo está sem luz

O personagem Kratos, de “God of War” (2018)

A Sony lançou “God of War: Sons of Sparta” na quinta-feira (12), durante o evento State of Play, que mostra os lançamentos do ano para o Playstation 5. O novo jogo 2D da franquia acompanha a juventude do semideus Kratos na Grécia. A empresa também anunciou o desenvolvimento do remake da trilogia original, que completou 20 anos em 2025. 

“God of War” é uma das principais franquias de jogos exclusivos do Playstation, ao lado de títulos como “The Last of Us” e “Uncharted”. A trama baseia-se em diferentes referências mitológicas gregas e nórdicas. Além disso, o personagem Kratos tem contato com culturas como a egípcia e a japonesa

Neste texto, o Nexo apresenta as diferentes mitologias que formaram “God of War” e mostra o sucesso da franquia de jogos do Playstation. 

Kratos na Grécia 

O estúdio Santa Monica lançou o primeiro “God of War” em março de 2005. O designer de jogos David Jaffe criou o jogo, com inspirações em franquias como “Devil May Cry” e “Onimusha” para as dinâmicas de combate, “Ico” para os puzzles e o filme “Indiana Jones e os caçadores da arca perdida”, de Steven Spielberg, para a trama de aventura. 

A história do jogo de Playstation 2 acompanha a sede de vingança de Kratos contra deuses da Grécia Antiga. Capitão do exército de Esparta, ele tem habilidades sobre-humanas – nas continuações, descobre-se que ele é filho de Zeus com uma humana – e faz um acordo com Ares, o deus da guerra, para servir a ele após proteger o batalhão e lhe dar a capacidade de vencer todos os inimigos. 

Com as lâminas do caos – duas espadas forjadas por Ares –, Kratos passa a ter um grande poder. Mas seu apego à esposa e à filha faz com que ele não se entregue totalmente ao papel de servo do deus da guerra. 

Ares, então, transporta a família do protagonista para uma vila de adoradores de Atena, a deusa da sabedoria, sem que Kratos saiba. O espartano ataca e dizima o local, incluindo a esposa e a filha. A traição divina faz com que ele jure vingança contra o deus da guerra. Um ancião o amaldiçoa com as cinzas da esposa e da filha, dando a seu corpo um aspecto acinzentado.  

Kratos passa a servir a outros deuses, como Poseidon e Atena, na tentativa de se livrar dos pesadelos com a família assassinada. Numa última missão, a deusa da sabedoria pede ao espartano que mate Ares – que ameaça a cidade de Atenas – usando os poderes da Caixa de Pandora. 

O espartano conclui a missão, mas Atena revela que não poderá tirar os pesadelos que o atormentam. Como forma de compensação, ela o leva ao Monte Olimpo para se tornar o novo deus da guerra. 

Cena de "God of War" (2005). Imagem digital de um homem com uma espada

Cena de “God of War” (2005)

94

é a nota de “God of War” no Metacritic, site agregador de avaliações de cinema, música, televisão e videogame

As duas principais sequências de “God of War”, de 2007 e 2010, mostram que os deuses do Olimpo não aceitam Kratos, o que faz com que ele mantenha sua dedicação à conquista da Grécia pelo exército espartano. O terceiro jogo já foi lançado para a geração do Playstation 3. 

Após Zeus tentar matá-lo para quebrar o ciclo em que o filho assassina o pai – assim como ele mesmo fez com Cronos –, Kratos deseja vingança contra todas as divindades, incluindo o líder do Olimpo. 

Além da franquia original, os jogos “Chains of Olympus” (2007) e “Ghost of Sparta” (2010), lançados para o console portátil PSP, expandem os acontecimentos do primeiro “God of War”, com histórias se passando antes e depois do original. “Ascencion” (2013), lançado para o PS3, também tem essa proposta. 

27,2 milhões 

foi o número de cópias da franquia “God of War” vendidas para PS2, PS3 e PSP 

Recomeço nórdico

O anúncio da continuação de “God of War” (2018) para o Playstation 4 foi uma surpresa para os fãs. Os desenvolvedores apresentaram o início da história durante a E3, a maior feira de jogos de videogame, em 2016, em Los Angeles. O evento foi encerrado em 2023 por falta de interesse das desenvolvedoras. 

A continuação acompanha Kratos na Noruega antiga e sua relação com seu filho, Atreus. Ambos devem jogar as cinzas de Faye, segunda esposa do protagonista, do pico mais alto dos nove reinos – Midgard, Alfheim, Asgard, Vanaheim, Niflheim, Muspelheim, Helheim, Svartalfheim e Jotunheim. 

Kratos vive uma vida pacata, escondendo seu passado vingativo de Atreus. Para chegar até Jotunheim, em que moram os gigantes e onde fica o ponto mais alto dentre os nove reinos, pai e filho passam por deuses e figuras mitológicas. Uma delas é Jörmungandr, a serpente do mundo, que representa o caos e o infinito. 

Figuras mitológicas como o antagonista Baldur, filho de Odin – conhecido como deus da luz, da beleza e da bondade –, e os irmãos Magni e Modi, filhos de Thor, estão no jogo. Ao fim da trama, o jogador descobre que o nome original de Atreus é Loki, conhecido como deus da trapaça e da travessura. 

Assim como o “God of War” original, a continuação de 2018 tem nota 94 no Metacritic. As avaliações positivas se referem a aspectos como a qualidade gráfica e o roteiro do jogo. A obra venceu o Game of The Year do ano, a categoria principal do The Game Awards, premiação mais importante da indústria dos videogames.   

“God of War: Ragnarok” (2022), lançado para Playstation 4 e Playstation 5, dá continuidade à história de Kratos e Atreus. Em meio à ameaça do apocalipse nórdico, o protagonista deve ajudar o filho a entender seu papel como Loki na batalha final contra os deuses. 

O jogo também tem nota 94 no Metacritic. O trabalho venceu cinco categorias no The Game Awards – sobretudo as técnicas, como Trilha Sonora e Inovação em Acessibilidade. A categoria de Game of The Year de 2022, no entanto, ficou com o RPG “Elden Ring”.  

A fase nórdica da franquia “God of War” teve cerca de 38 milhões de unidades vendidas. O sucesso do game fez com que o Prime Video apostasse numa adaptação em live action da relação entre Kratos e Atreus. A série ainda não tem previsão de lançamento, mas terá Ryan Hurst (“Sons of Anarchy”) como o protagonista espartano.  

Outras mitologias em ‘God of War’

Além da ambientação grega e nórdica, os jogos de “God of War” fazem referências a mitos e lendas de outras culturas. Num mural do game de 2018, por exemplo, é possível ver quatro símbolos: o Olho de Osíris, da mitologia egípcia; o ômega, da grega; o Tomoe, da japonesa; e o espiral celta. 

A cultura egípcia também teve espaço na série de histórias em quadrinhos “God of War: Fallen God”, de 2021. Os quatro volumes se passam após “God of War 3” e acompanham Kratos numa peregrinação para fugir da Grécia e daquilo que o atormenta mentalmente. 

Ao longo das HQs, o protagonista conhece Thoth, deus egípcio da sabedoria, que o orienta para lidar com o tormento interno. Na tentativa de proteger uma vila, o protagonista entra em confronto contra o deus Sobek (crocodilo) e a deusa Tuéris (hipopótamo). 

Outro exemplo de figura mitológica de diferentes culturas em “God of War” é a divindade Efreet. O gênio árabe maléfico aparece na versão de PSP de “God of War: Chains of Olympus”.