As polêmicas em torno do novo ‘Pânico’. E os 30 anos da franquia

Cena de "Pânico 7" (2026)

Cena de “Pânico 7” (2026)

“Pânico 7” chegou aos cinemas brasileiros na quinta-feira (26), três anos após o último longa-metragem da franquia de filmes de terror e com uma recepção inicial negativa.

35%

é a avaliação do filme no site Rotten Tomatoes, que agrega críticas publicadas por veículos de imprensa

A produção do novo filme foi marcada por diferentes controvérsias, causando alterações no roteiro, troca de diretores e saída de atores.

Neste texto, o Nexo apresenta a franquia “Pânico”, as polêmicas em torno do novo filme e quais são os planos futuros para a série de longas, que completa 30 anos em 18 de dezembro.

A franquia

“Pânico” (1996), criado e roteirizado por Kevin Williamson e dirigido por Wes Craven, é um filme de terror do gênero slasher. Ele é marcado por um assassino notório – neste caso Ghostface – que mata inúmeras vítimas, geralmente jovens, uma em seguida da outra. 

A franquia foi importante para ressuscitar o interesse pelo gênero slasher, que já não gerava tantos sucessos como nas décadas de 1970 e 1980, que originou sagas célebres como “Halloween” e “Sexta-feira 13”.

US$ 173 milhões

foi a quantidade arrecadada por “Pânico” (1996) mundialmente, tornando-o o slasher mais lucrativo de todos os tempos, até ser superado por “Halloween” (2018)

US$ 910 milhões

é a quantidade total arrecadada pela franquia em bilheterias ao redor do mundo

Em “Pânico” os personagens referenciam filmes clássicos de terror e utilizam as convenções clássicas desses títulos para tentar resolver os assassinatos que os cercam na cidade de Woodsboro.

A atriz Neve Campbell interpreta a protagonista Sidney Prescott nos primeiros longas. Outros nomes, como Courteney Cox (interpretando a repórter Gale Weathers) e David Arquette (que é o policial Dewey Riley), também foram frequentes na trilogia.

A franquia permaneceu por 11 anos sem um novo filme, desde “Pânico 4” (2011) até “Pânico” (2022), dirigido por Tyler Gillett e Matt Bettinelli-Olpin, após a morte de Craven, em 2015.

O quinto filme trouxe como protagonistas Melissa Barrera e Jenna Ortega, que interpretaram as irmãs Sam e Tara Carpenter. Campbell, Arquette e Cox também retornaram.

Em 2023, a sequência “Pânico 6” foi lançada. O filme acompanha os personagens do longa anterior em Nova York, onde eles estavam cursando faculdade. Neve Campbell não apareceu no longa, devido a uma disputa salarial. 

“Como mulher, tive que trabalhar muito duro na minha carreira para estabelecer meu valor, especialmente quando se trata de ‘Pânico’. Senti que a oferta que me foi apresentada não correspondia ao valor que agreguei à franquia”, disse a atriz em um comunicado à revista Variety em 2022.

Além dos filmes originais, a franquia originou uma série (“Scream”) e outras paródias (“Todo mundo em pânico”).

O novo ‘Pânico’

“Pânico 7” volta a acompanhar Sidney, que vive com um marido policial (Joel McHale) e sua filha adolescente, Tatum (Isabel May). A mãe volta a ser alvo do assassino Ghostface e novas mortes começam a acontecer em Woodsboro.

As controvérsias em torno do filme começaram ainda em 2023. Em agosto, foi anunciado que os diretores Bettinelli-Olpin e Gillett haviam deixado o projeto por conflitos em suas agendas. Christopher Landon (“A morte te dá parabéns”) foi o nome escolhido para ocupar a posição.

Em 21 de novembro de 2023, Melissa Barrera, que foi protagonista dos dois filmes anteriores, foi demitida da produção. A decisão foi tomada pela produtora Spyglass Media Group, que alegou que as postagens de Barrera em suas redes sociais criticando o governo de Israel e indicando seu apoio à Palestina eram antissemitas.

“Temos tolerância zero para o antissemitismo ou a incitação ao ódio de qualquer forma, incluindo falsas referências a genocídio, limpeza étnica, distorção do Holocausto ou qualquer coisa que ultrapasse claramente a linha do discurso de ódio”, disse a empresa em anúncio à Variety.

A atriz afirmou depois em seu Instagram que condenava o antissemitismo, a islamofobia e o ódio e o preconceito de qualquer tipo a qualquer grupo de pessoas.

“Como latina, uma mexicana orgulhosa, sinto a responsabilidade de ter uma plataforma que me permite o privilégio de ser ouvida e, portanto, tenho tentado usá-la para conscientizar sobre questões que me importam e para dar voz a quem precisa”, acrescentou Barrera.

No dia seguinte, a atriz Jenna Ortega também deixou a franquia, citando conflitos com a sua agenda. 

Ortega afirmou à revista The Cut em 2025 que a razão real de sua saída havia sido a demissão de Barrera e de outros produtores. “Se ‘Pânico 7’ não acontecesse com o time de diretores e de pessoas pelas quais eu me apaixonei, então o filme não iria parecer uma decisão correta para mim e para a minha carreira naquele momento”.

Uma série de mudanças começam a acontecer nos bastidores. O roteiro original do filme foi descartado – e os roteiristas James Vanderbilt e Guy Busick precisaram começar um novo –, o diretor Christopher Landon foi demitido e, em seu lugar, retornou Kevin Williamson.

Ao mesmo tempo, a franquia passou a apostar em seus fãs mais antigos. 

Atores que participaram anteriormente da franquia, como Campbell, Matthew Lillard, Scott Foley e David Arquette, retornam para os seus papéis. Com a exceção da atriz, todos os personagens foram mortos anteriormente na franquia.

A crítica mais recente à produção aconteceu após a divulgação de uma campanha promocional feita em parceria com a Kalshi, uma plataforma do mercado de previsões, em que as pessoas apostam no resultado de eventos futuros, como eleições ou resultados esportivos. 

 

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“Os mercados de previsão são semelhantes aos jogos de azar, em que os participantes ‘apostam’ na probabilidade de ocorrência de eventos específicos. Esses eventos podem variar de eleições políticas a resultados esportivos e previsões financeiras”, escreveu Tatiana Revoredo, professora de blockchain para negócios no Insper e membro-fundadora da Oxford Blockchain Foundation, em sua página na plataforma Substack.

No vídeo, perguntas a respeito dos personagens, como as suas chances de sobrevivência, eram acompanhadas de chances para os resultados.

Os planos futuros

Na quarta-feira (25), manifestantes protestaram perto do local da estreia do filme, nos estúdios da Paramount, responsável pela franquia, em Los Angeles. Eles exibiam cartazes como “A Paramount tem uma lista proibida de atores que criticam Israel” e “Cancele o [streaming] Paramount+”.

Durante a estreia, o diretor Kevin Williamson afirmou que as pessoas reunidas tinham o direito de protestar. “Eles têm o direito de serem ouvidos e têm o direito de expressar a sua verdade, e eu apoio isso”, disse o cineasta em entrevista à revista Deadline.

Outros fãs também têm prometido boicotar o filme devido à maneira como Barrera foi tratada. Mas a Paramount e a Spyglass mantêm suas expectativas de arrecadar cerca de US$ 40 milhões na estreia.

US$ 45 milhões

foi o orçamento de “Pânico 7”

Um novo filme da franquia também está nos planos dos produtores, de acordo com a revista Variety.

Apesar das controvérsias em torno do novo filme, fãs estão se preparando para comemorar os 30 anos da franquia ao longo do ano, organizando reuniões e convenções. Também estão previstas ações comerciais em comemoração aos 30 anos de “Pânico”.