
Gado em fazenda de Santa Bárbara do Pará (PA)
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta terça-feira (3) que o PIB (Produto Interno Bruto) nacional cresceu 2,3% em 2025.
R$ 12,7 milhões
foi o PIB do Brasil em 2025
O resultado representa uma desaceleração do PIB em relação a 2024 (3,4%) e o menor crescimento da economia brasileira em cinco anos. A queda era esperada por causa dos altos índices da Selic, a taxa básica de juros. O Banco Central manteve o patamar de 15% ao ano em janeiro de 2026.
Apesar da desaceleração, 2025 foi o quinto ano consecutivo em que o PIB cresceu. O quarto trimestre do ano teve um crescimento de 0,1% em relação aos três meses anteriores, numa trajetória praticamente estável.
Evolução do PIB

Neste texto, o Nexo explica o que é o PIB, apresenta os principais dados da economia brasileira em 2025 e conversa com especialistas sobre os resultados do ano e as projeções para 2026.
O PIB é o resultado da soma de todos os novos bens e serviços produzidos num país em certo período. Por ser um indicador de quanto e como a economia produziu num intervalo de tempo, ele aponta se a atividade econômica cresceu, encolheu ou se manteve igual na comparação com outros momentos.
Como é a soma da produção de bens e serviços de um país, o PIB é um valor absoluto. Ou seja, ele é um número e pode ser quantificado em reais, em dólares ou em qualquer outra moeda do mundo.
O PIB não representa toda a riqueza que existe no país. Ele é um indicador de fluxo. Ou seja, ele trata somente dos novos bens e serviços.
Outra maneira de medir o PIB é pela demanda, ou seja, entendendo quem consumiu o que foi produzido pelos diferentes setores da economia. Entram nessa conta:
As três principais atividades econômicas do país registraram alta em 2025. A agropecuária foi o setor que mais impactou positivamente o PIB, com um crescimento de 11,7% no ano. De acordo com o IBGE, culturas como o milho e a soja tiveram recordes de ganhos de produtividade, além de ter havido um bom desempenho da pecuária.
O cenário é diferente de 2024. Naquele ano, a agropecuária foi o setor com o pior desempenho no país, com um recuo de 3,2%.
Entre os serviços, houve uma alta de 1,8% em 2025. O destaque foi do subgrupo de informação e comunicação, com um crescimento de 6,5%.
O setor da indústria foi o que teve a maior desaceleração em relação ao ano anterior. Em 2025, o crescimento foi de 1,4%, contra 3,3% em 2024. A construção civil, por exemplo, passou de uma alta de 4,3% para apenas 0,5% no período.
Apesar da queda no setor, as atividades da indústria extrativa registraram alta, com a extração de petróleo e gás. O subsetor teve um aumento de 8,6% em 2025.
A desaceleração do consumo das famílias impactou o PIB de 2025. De acordo com o IBGE, o crescimento foi de 1,3% em relação a 2024, contra 5,1% no ano anterior. No período, o consumo do governo passou de 1,9% para 2,1%.
Apesar dos menores índices históricos de desemprego — 5,6% em 2025 — e o aumento do crédito e de programas de transferência de renda, os altos patamares da Selic no último ano resultaram na diminuição do consumo das famílias.
O Nexo conversou com duas economistas para entender o cenário do PIB brasileiro em 2025 e projetar o ano de 2026. São elas:
O que explica o PIB brasileiro de 2025? Quais fatores contribuíram positiva e negativamente?
Juliana Trece Dado o contexto atual de juros bastante elevados, esse é até um número positivo, um crescimento benéfico. Mas é o menor crescimento que registramos em cinco anos.
Em termos de componentes, percebe-se uma clara desaceleração do setor de serviços, que tem o maior peso na economia, e do consumo das famílias, que também é relevante. Ambos foram impactados pelos juros elevados, que acabaram restringindo, por exemplo, a capacidade de crescimento da economia e de investir.
Mas também fomos beneficiados por atividades menos sensíveis ao contexto dos juros. A agropecuária teve o principal desempenho em termos de crescimento da economia. A [indústria] extrativa mineral, pela produção de petróleo, também teve um desempenho muito bom — o segundo maior crescimento dentro de todos os componentes.
Essas duas atividades ajudaram muito nossas exportações. No ano em que tivemos o tarifaço de Donald Trump, percebemos que as exportações cresceram muito por conta da agropecuária e da extrativa.
Clara Brenck Acho que o principal ponto foi o resultado talvez excepcional do agro. Esse foi o principal fator a contribuir para o crescimento em 2025.
Mas também é importante considerar um efeito de continuidade do crescimento registrado em 2023 e 2024. A inércia do crescimento passado continua reverberando para frente.
As famílias ganharam renda, passaram a consumir mais e isso vai gerar, eventualmente, crescimento econômico e empregos. Apesar de o consumo das famílias ter desacelerado, acho que há ainda um pouco desse efeito [dos anos anteriores].
Negativamente, temos a taxa de juros, que está num patamar muito alto e, talvez, tenha sido o principal fator a atrapalhar o crescimento econômico.
O que esperar para 2026?
Juliana Trece A expectativa é manter o crescimento. Ainda com juros elevados, porque o Banco Central não vai cortá-los, mas com a expectativa de crescimento.
Mas a economia deve continuar desacelerando. A princípio, a expectativa é de um crescimento um pouco menor do que 2%. A mediana das projeções do Banco Central tem um número de 1,8% no momento. Vamos continuar crescendo, mas menos.
A agropecuária não deve ter esse crescimento expressivo [em 2026]. Mas a indústria extrativa deve continuar com a produção de petróleo, com chances de virar um carro-chefe do crescimento. O setor de serviços e consumo também vai continuar crescendo, mas numa dinâmica um pouco menor.
Clara Brenck Acho que estamos num caminho de desaceleração. O ciclo de expansão fiscal se encerrou — estamos começando, na verdade, um ciclo de corte de gastos e caminhando para um superavit fiscal, que tende a contribuir negativamente para o crescimento econômico —, e a taxa de juros continua alta.
Por mais que a expectativa seja que [a Selic] caia neste ano, ela ainda está num nível alto. A trajetória vai ser provavelmente de queda, mas ela ainda está num nível bem alto, que vai atrapalhar o crescimento.
Uma coisa positiva, cujo efeito talvez não seja tão significativo, é a reforma do Imposto de Renda. Isso talvez possa dar um fôlego para a economia, porque, com a isenção de até R$ 5.000, que começa em 2026, libera-se uma grande parte de dinheiro para as famílias, que provavelmente vão consumir.
Talvez haja um crescimento positivo vindo do consumo das famílias nesse lugar. Por mais que o governo taxe o topo, eles não necessariamente consomem grande parte de sua renda. O efeito da queda do consumo no topo provavelmente é muito pequeno — ou até inexistente.