
Painel de publicidade do show de Shakira no Rio de Janeiro
A cantora colombiana Shakira se apresenta na Praia de Copacabana no sábado (2). Ela é a atração principal da terceira edição do Todo Mundo no Rio, evento da Prefeitura do Rio de Janeiro com a produtora Bonus Track, que traz shows gratuitos de estrelas pop nas areias cariocas.
“Copacabana pra mim é um sonho. Sempre sonhei em cantar aí, nessa praia. É um lugar mágico”
Shakira
cantora colombiana, em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, no domingo (26)
A prefeitura do Rio espera um público de cerca de 2 milhões de pessoas para o show. O cenário é muito diferente do encontrado há quase 30 anos, quando Shakira teve sua primeira passagem pelo Brasil. Ela se apresentou mais de 30 vezes ao lançar o álbum “Pies Descalzos”, incluindo cidades do interior do país.
Neste texto, o Nexo lembra o contexto da turnê “Pies Descalzos”, explica a relação de Shakira com o Brasil e mostra as expectativas para o show em Copacabana.
Shakira lançou “Pies Descalzos” (1995) aos 18 anos. O álbum foi o terceiro da cantora de Barranquilla, que havia estreado com “Magia” (1991) e “Peligro” (1993). O lançamento ocorreu após a colombiana protagonizar a novela “El Oasis” (1994), que fez sucesso em seu país de origem.
Com mistura de pop latino, reggae e rock, “Pies Descalzos” foi o primeiro álbum local a atingir a marca de 1 milhão de cópias vendidas na Colômbia. O disco também ampliou a divulgação global da música da América Latina, repetindo o sucesso de nomes como o porto-riquenho Ricky Martin.
O álbum tem músicas de sucesso, como “Piés Descalzos, Sueños Blancos” e “Dónde Estás Corazón?”. Mas foi “Estoy Aqui”, o primeiro videoclipe de Shakira, que teve maior repercussão. A música ficou quatro semanas na primeira posição do ranking de Músicas Pop Latinas mais tocadas em 1996 nos EUA, segundo a revista Billboard.
A turnê de divulgação de “Pies Descalzos” começou em cidades colombianas, em fevereiro de 1996. Ao longo de 20 meses de turnê, Shakira também passou por diferentes países latino-americanos — incluindo o Brasil —, Estados Unidos e Espanha.
A escolha de se apresentar em diferentes cidades brasileiras foi descrita como uma “maratona promocional” pela repórter Patrícia Deia, do jornal Folha de S.Paulo, em 25 de fevereiro de 1997. Segundo ela, Shakira estava “seguindo os passos do ex-menudo Ricky Martin para conquistar o mercado brasileiro”. Naquele momento, a colombiana já tinha feito 11 shows no país.
A primeira etapa da turnê no Brasil começou no Teatro Amazonas, em Manaus, em 30 de novembro de 1996. Nos 10 primeiros dias de dezembro daquele ano, Shakira também se apresentou em Belém, Barretos (SP), Goiânia, Brasília, Maringá (PR), Belo Horizonte, Salvador, Recife e Florianópolis.
A passagem não teve tanta repercussão. Não há registros sobre a presença de Shakira no Brasil no acervo de jornais locais da Hemeroteca Digital, por exemplo. A única citação à colombiana 1996 apareceu no A Tribuna, de Santos, que destacou a presença de “Estoy Aqui” entre as mais pedidas da rádio Tribuna FM.
Em 1997, a gravadora Sony Music se dedicou a tornar Shakira conhecida pelos brasileiros. Uma das participações mais marcantes da colombiana ocorreu no programa Domingo Legal, apresentado por Gugu, no SBT. Além de cantar seus principais sucessos, a artista foi jurada do quadro “Banheira do Gugu”.
Outra atração do SBT que recebeu Shakira foi o Programa Livre. Apresentado por Serginho Groisman, ele recebia artistas para se apresentarem a um público formado por jovens.
Em 2 de março de 1997, Shakira se apresentou em Santo André, na região metropolitana de São Paulo. O estado foi o que mais recebeu a colombiana na turnê de “Pies Descalzos”: foram 12 shows nas cidades paulistas, desde casas de shows famosas na capital a uma pista de kart em Campos do Jordão e um rodeio em Barretos.
A recepção da crítica não foi das melhores. O jornalista Pedro Alexandre Sanches, da Folha, enquadrou Shakira como parte de uma programação “de quarto mundo”. Já uma reportagem do Estadão destacou que a colombiana não queria ser comparada à americana Alanis Morrisette: “Somos jovens, tocamos gaita e temos cabelos longos, mas as semelhanças param por aí”.
Apesar disso, o público encheu as casas de shows em que Shakira se apresentou. O jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul destacou o “furacão colombiano” encontrado em Porto Alegre e em cidades como Bagé, Santa Maria e Uruguaiana.
O interesse foi tão grande que o show na capital gaúcha teve superlotação e cerca de 60 fãs receberam o dinheiro de volta por não terem conseguido assistir à apresentação no ginásio do Gigantinho.
Entre agosto e setembro de 1997, Shakira voltou para a terceira e última fase de sua turnê no Brasil. A colombiana repetiu cidades como São Paulo, Manaus e Belém, mas também esteve em palcos novos no Rio de Janeiro, em Novo Hamburgo (RS) e em Taubaté (SP).
Shakira aprendeu português de maneira autodidata durante a turnê brasileira de “Pies Descalzos”, a partir das entrevistas de que participou em programas de rádio e TV. Em 1997, ela lançou uma versão de “Estoy Aqui” no idioma, como uma forma de homenagear a recepção brasileira.
A colombiana voltou ao país anos depois, já como uma estrela pop mundial. A cantora foi uma das atrações principais do Rock in Rio de 2011, cantando “País tropical”, de Jorge Ben Jor, com Ivete Sangalo. Na ocasião, ela presenteou a então presidente Dilma Rousseff (PT) com um violão.
Shakira e Ivete também dividiram o palco da cerimônia de encerramento da Copa do Mundo de 2014, disputada no Brasil. Junto a Carlinhos Brown, a dupla apresentou a música “La La La”. A colombiana já havia sido um dos símbolos da competição de futebol de 2010, na África do Sul, com a música “Waka Waka (This Time for Africa)”.
Mais de uma década depois, a atual turnê de Shakira, “Las Mujeres Ya No Lloran Tour”, teve seu ponto de partida no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, em 11 de fevereiro de 2025. Na época, a colombiana disse que começou a sequência de shows no país por conta do carinho dos brasileiros.
“Eu amo o Brasil. Foi o país que abriu as portas à minha música há tantos anos e continua comigo me apoiando, me entendendo”, afirmou, em português, durante o programa Domingão com Huck, da TV Globo, em 2025.
Todo Mundo no Rio é uma iniciativa da prefeitura que pretende trazer artistas internacionais de renome para shows gratuitos na capital fluminense. As edições de 2024 e 2025 do evento tiveram, respectivamente, Madonna e Lady Gaga. A expectativa é que novas apresentações ocorram até, no mínimo, 2028.
2,1 milhões
de pessoas estavam na praia de Copacabana no show de Lady Gaga, em maio de 2025, segundo a Prefeitura do Rio de Janeiro. É o recorde mundial de público para uma artista mulher na história
Há a expectativa de que Anitta faça uma participação especial no show de Shakira. A colombiana é uma das intérpretes de “Choka Choka”, faixa do álbum “EQUILIBRIVM”, lançado pela brasileira em 16 de abril.
Segundo o estudo “Potenciais impactos econômicos do ‘Todo Mundo no Rio’ 2026 – Shakira”, elaborado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e pela empresa de turismo Riotur, cerca de R$ 600 milhões devem circular na capital fluminense com a apresentação da colombiana, principalmente em setores como hospedagem, alimentação, transporte, comércio e turismo.